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Por Léo Quintino, coordenador. Ruas esburacadas, quase intrafegáveis, esgoto a céu aberto, ausência de transporte coletivo e posto de saúde. Em pleno século XXI, na era da informática, essa realidade ainda perdura em alguns pontos da Belo Horizonte. Nada de internet, TV a cabo ou trânsito intenso, o que se vê em alguns cantos da cidade parece ser o retrato de um “interior” que ainda vive no século XX. São comunidades marginalizadas, situadas na periferia, como lembra o cientista político e professor Hermílio Santos, “à margem, seja geograficamente – em habitações precárias –, seja à margem do acesso aos bens públicos como também privados, ou ainda à margem do reconhecimento pelos demais membros da sociedade”. Essas comunidades estão pentinho da “sociedade”, logo ali nos bairros Tupi, São Bernardo, Águas Claras, Santa Rita, Independência ou em tantos outros locais espalhados pelos cantos de BH. Nas comunidades onde a ONG atua percebe-se, de maneira geral, uma perda do sentimento de comunidade, vê-se um cenário onde as pessoas não ajudam, nem se unem e, nesse sentido, os moradores perdem individualmente e coletivamente. Por um lado, essa falta de união atrapalha o exercício da cidadania e por outro pode ser considerada conseqüência da precariedade do exercício da cidadania. Existe uma crença por parte considerável de estudiosos sobre cidadania como algo exercido exclusivamente em conexão a instâncias publicamente reconhecidas. Entretanto, a cidadania pode e deve ser considerada nas interações cotidianas da comunidade. Para isso, é muito importante a percepção do outro, ou seja, do vizinho, por exemplo, como pessoa diferente de você, mas com interesses em comum, como na melhoria da rua, do transporte, da saúde ou da convivência em geral. Isso não quer dizer, é claro, que você tenha que aceitar o outro. Porém, num dado momento, você pode se unir ao outro para resolver um problema individual, só que de forma coletiva. |