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Exercício da cidadania PDF Imprimir E-mail
Sáb, 06 de Setembro de 2008 09:41
Grupo Rima investe em formação dos empregados e na atuação comunitáriaem Bocaiúva, Várzea da Palma e Capitão Enéas, no Norte de Minas, e em Belo Horizonte
O funcionário estuda no próprio local de trabalho. Assim, amplia seus conhecimentos e tem a oportunidade do crescimento profissional dentro da mesma firma que o emprega. Esta é a filosofia do projeto educacional implantado pelo Grupo Rima no município de Bocaiúva, Norte de Minas. A iniciativa é viabilizada pelo Centro Educacional Rima (CER), criado em 1995 e que funciona como uma verdadeira escola dentro da indústria, com aulas gratuitas do ensino fundamental e médio. O projeto está inserido num conjunto de ações realizadas pelo grupo que tem como objetivo o desenvolvimento social das comunidades onde atua.

Os programas são coordenados pela Fundação Vicintin, braço social do Grupo Rima, que conta com cerca de 5 mil colaboradores e atua em vários segmentos, entre eles mineração, plantio de florestas e siderurgia (ferro-silício). Por intermédio da fundação, em parceria com outros organismos governamentais e privados e do terceiro setor, a empresa realiza as ações em Bocaiúva, Várzea da Palma e Capitão Enéas, onde estão suas fábricas, além de áreas carentes de Belo Horizonte, sede do grupo. Segue o lema “educar é preparar pessoas para o exercício da cidadania” e prioriza a atenção a crianças e adolescentes. Os funcionários também são apoiados para a participação em iniciativas solidárias.

DIGNIDADE Além de manter creches, contribui com escolas públicas e outras entidades, com a implantação e o monitoramento de projetos pedagógicos, de alfabetização, reforço escolar e de incentivo à leitura. Realiza, ainda, atividades voltadas para a melhoria das condições de saúde e conscientização ambiental. Considerando todos os projetos implementados nas escolas e entidades assistidas, ultrapassa a 8 mil o número de crianças e adolescentes que recebem o apoio do grupo, informa Eunice Souto Fróes, secretária-executiva da Fundação Vicintin. “A fundação é uma entidade séria, solidária, que interage com o próximo e, com isso, alcança o resgate da dignidade e da cidadania”, afirma Eunice.

Bocaiúva, de 44,6 mil habitantes, é a terra do sociólogo Hebert de Souza, que empreendeu a luta contra a fome no país. O Grupo Rima gera 2 mil empregos na cidade, onde produz magnésio, peças e motores automotivos, entre outros produtos. O Centro Educacional Rima entrou em funcionamento em 1995, com o objetivo de incentivar os trabalhadores a dar continuidade aos estudos. As aulas são ministradas em horários flexíveis em salas instaladas dentro da própria fábrica, o que facilita o acesso ao projeto. Desde a implantação até hoje, cerca de 600 funcionários da indústria já conseguiram o diploma de ensino básico e fundamental.

MAIS ADIANTE
Geraldo Elias Borges, de 35 anos, é o exemplo prático da importância da iniciativa na vida dos trabalhadores da Rima. Em 1999, quando era ajudante geral, ele entrou para o CER, a fim de concluir o ensino fundamental. Foi bem mais adiante. Em 2005, terminou o ensino médio. Hoje, ele faz o curso superior de administração numa faculdade em Bocaiúva. Para Geraldo Elias, além do aprendizado na sala de aula, o mais importante foi que ele também subiu degraus dentro da indústria, onde, atualmente, é chefe de seção. “Tive um reconhecimento profissional dentro da empresa. Isso pra mim tem uma importância enorme”, afirma.

Ely Fernandes Silva, de 25, ajudante de manutenção, voltou a estudar na escola montada na fábrica, depois de ter ficado oito anos parado. “Espero ter a chance de fazer um curso técnico de eletromecânica”, afirma Ely, que está cursando o supletivo do ensino médio. Concluir o curso técnico de eletromecânica também é o sonho de Adão Adenílson Silva Pereira, de 23, agente de serviços gerais da Rima em Bocaiúva. Ele voltou aos livros neste ano depois de interrupção dos estudos por cinco anos – antes, estudou até a sexta série. “Perdi tempo fora da escola. Mas, agora, quero seguir em frente. Estudar é uma oportunidade que a gente tem para melhorar de vida”, declara o otimista Adão.

A encarregada de recursos humanos da Rima em Bocaiúva, Natalina da Silva Veloso, diz que a empresa ganha com a qualificação do seu pessoal. Mas ressalta que o ganho maior é para os próprios trabalhadores e para o meio social onde eles vivem: “A pessoa, a partir do momento que adquire conhecimentos, passa a ter uma outra visão do mundo. Ela passa a desenvolver melhor suas potencialidades e habilidades, em todos os sentidos. O saber é algo que será útil eternamente”, assegura Natalina.