Home » Notícias » Transporte » Ônibus alternativo causa confusão
 
Ônibus alternativo causa confusão PDF Imprimir E-mail
Seg, 09 de Fevereiro de 2009 08:05

A estreia de um novo sistema de ônibus aos domingos e feriados deixou muita gente irritada em Belo Horizonte. A BHTrans cortou 15 linhas, que agora só vão circular durante os sábados e os dias úteis. Mas o esquema alternativo montado para atender os passageiros desagradou.

Quem seguia direto para o Centro tem que fazer baldeação, o que atrasa a viagem. Quem andava um ou dois quarteirões até o ponto precisa suar mais e buscar transporte no bairro vizinho. E quem sabia o horário de seu coletivo se perdeu com os novos quadros.

As mudanças fazem parte do projeto de integração da rede de transporte e estavam previstas nos novos contratos de concessão, assinados com as empresas de ônibus no fim do ano passado. O objetivo é racionalizar a rede, já que, nos dias de descanso, a demanda é três vezes menor e o excesso de veículos circulando encarece os custos. As próprias viações estudaram as alterações e apresentaram proposta à empresa que gerencia o transporte. Depois de análise, os técnicos do município bateram o martelo.

Nenhum bairro da Região Centro-Sul, área mais rica da cidade, ficou órfão de ônibus. A “racionalização” pegou mesmo a periferia. Em alguns, o corte de uma linha foi compensado com o aumento do número de partidas de outra, que faz o mesmo trajeto. Em outros, o coletivo do bairro vizinho teve a rota alterada para passar em ruas desassistidas.

Nas áreas próximas a estações, linhas que seguiam até o Centro foram substituídas por alimentadoras, que levam até os terminais. Lá, é preciso embarcar em outra, de longa distância, ou no metrô para terminar a viagem. A vantagem é que nas estações há opções de transporte para vários destinos. Entretanto, quase sempre, a operação para trocar de veículo aumenta o tempo de deslocamento. O preço continua o mesmo, desde que o cidadão use o cartão BHBus. Quem paga em dinheiro leva a pior: arca com duas passagens na baldeação.

Um retrato das mudanças é o Bairro Madre Gertrudes, na Região Oeste. A linha 1510 era a única opção para chegar ao Centro. No lugar, a BHTrans pôs uma alimentadora (202), que leva até a Estação de Metrô Vila Oeste. O problema é que, além dos transtornos da baldeação, os trens param de circular antes da meia-noite. O cidadão vai para o trabalho, mas não volta depois de determinado horário.

Outra solução é caminhar até o vizinho Vista Alegre e embarcar na linha 1502, o que exige pernas. A distância varia de três a oito quarteirões e quase todo o percurso é íngreme. “Desde que nasci, tenho ônibus perto de casa. Agora, tenho que subir morro. Sou jovem, mas como um idoso vai se virar?”, questiona a atendente de telemarketing Erica Renata Soares, de 32, que ontem escalava a Rua Janaúba. Fonte: EM

Última atualização em Seg, 09 de Fevereiro de 2009 08:12