Blog Léo Quintino
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| Ter, 15 de Julho de 2008 09:15 | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Promessa para ser cobrada BHTrans anuncia aumento da frota e do número de viagens em 97 linhas de ônibus, para acabar com superlotação, depois da assinatura de contrato com os novos concessionáriosPelo menos 97 das 269 linhas de ônibus de Belo Horizonte vão ter aumento da frota e do número de viagens em três meses. A promessa é da BHTrans, que, em outubro, começa a reformular o sistema de transporte, a partir da entrada de novas concessionárias para prestar o serviço. Elas terão que ampliar o número de veículos em 8%, de 2.816 para 3.040. As 26 linhas que superam o limite de capacidade nos horários de pico (veja quadro no final da matéria) terão prioridade. Outras 71, cuja ocupação passa dos 90%, também estão na lista. A medida visa ao cumprimento de exigências do edital da concorrência pública. Hoje, o máximo admitido nos coletivos varia entre 5,5 e sete pessoas em pé por metro quadrado, conforme a linha. Mas passará para cinco, em todos os casos, o que exige o aumento da oferta. Relatório da empresa que gerencia o transporte na capital mostra que, nos padrões atuais, os veículos chegam a carregar número de passageiros 51% maior que a capacidade. As linhas que estão próximas do limite, certamente, entram no grupo mais problemático a partir das mudanças. O gerente de Coordenação de Projetos de Transporte da BHTrans, Daniel Marx, explica que o cálculo para aumento da frota foi feito com base nas deficiências atuais. “Fizemos uma projeção do número de veículos necessário para que a superlotação caia, atendendo os novos limites”, afirma. Além de ônibus comuns, para até 72 ocupantes, o projeto prevê a compra de modelos articulados (sanfonados), para até 125, que vão operar em itinerários de longa distância. Os quatro consórcios que venceram a licitação, cada um responsável pelo transporte de uma região da cidade, foram notificados em 30 de junho e têm um mês para assinar contratos com a prefeitura. Os grupos empresariais estão providenciando constituição jurídica e, em seguida, devem sentar à mesa com representantes do município. Feito o acordo, será dado prazo de 60 dias para que eles se estruturem, com a montagem de garagens, compra de veículos e contratação de pessoal. Até lá, vai ser prorrogado o vínculo com as concessionárias que hoje exploram o serviço, que vence na próxima sexta-feira. O gerente de Projetos Especiais da BHTrans, Célio Freitas, diz que o modelo de concessão adotado dá mais flexibilidade para resolver o problema da superlotação. No formato atual, as viações prestam o serviço de forma independente. Agrupadas em consórcios, é possível remanejar veículos de uma linha ociosa para uma saturada, operada por empresa diferente, sem maiores burocracias. “Assim, será possível aumentar o número de viagens de um itinerário, sem, necessariamente, comprar mais ônibus”, explica. Para fiscalizar o cumprimento dos limites de ocupação, pretende-se criar um grupo especial, com cerca de 100 agentes. Hoje, o trabalho é prejudicado, pois é feito por funcionários que acumulam outras funções, como a organização do trânsito e a aplicação de multas ao motorista. Além disso, a implantação de tecnologias para melhorar o controle, entre eles um software de contagem dos passageiros, está prevista para 2011. COMUNIDADE A princípio, apenas a ampliação da frota está prevista para outubro. As mudanças estruturais vão ficar para depois. Haverá ampla reformulação no mapa atual do transporte. Itinerários vão ser alterados, algumas linhas extintas e outras criadas. As concessionárias terão seis meses para fazer estudos e encaminhar propostas à empresa. Nesse período, os projetos serão levados à apreciação das comunidades. Haverá três rodadas de discussão com a população dos bairros afetados pelas mudanças. “Na primeira, vamos apresentar os projetos. Na segunda, colher sugestões. Na terceira, bater o martelo”, esclarece Célio Freitas. O novo BHBus, portanto, só mostrará a cara em março. A premissa básica será a ligação de regiões distantes, sem passar pelo coração da cidade. Os estudos que fundamentam a reformulação dividem BH em 680 áreas. Em cada uma foram analisados os destinos preferenciais da população. “Nos casos em que houver demanda para um deslocamento, sem a necessidade de cruzar o Centro, a linha será criada”, informa Freitas. Algumas rotas já estão em análise. Do Bairro Betânia, na Região Oeste, o passageiro seguirá para o Alípio de Melo (Noroeste), passando pelas avenidas Amazonas, Contorno e Pedro II. Do Barreiro, chegará à UFMG pela Via Expressa e pela Presidente Carlos Luz. Pelo Anel Rodoviário, vai da Pampulha ao Bairro Olhos D’água. Viagem em latas de sardinha Empresas ignoram limite e levam até 51% mais pessoas que o permitido, nos horários de maior movimento. Passageiros reclamam dos motoristas que não param nos pontos Vida de passageiro de ônibus não é fácil. Mas vida de passageiro da linha 309 (Petrópolis/Estação Diamante) pode ser ainda pior. É esse o coletivo que lidera o ranking da superlotação em Belo Horizonte. Relatório da BHTrans mostra que os veículos chegam a carregar, em horários de pico, número de pessoas 51% maior que a capacidade. Isso significa que, onde cabem 69 sentados e em pé, entram 104. Parece impossível às leis da física, mas quem não tem outra opção de transporte acaba se virando. Dentro de uma “lata de sardinha”, cada centímetro para colocar o pé, greta de janela para respirar melhor e pedaço de ferro para se segurar valem ouro. Os dados são os mais recentes da empresa que gerencia o transporte, referentes ao mês passado. Além da 309, outras linhas vivem situação crítica. É o caso da 103, segunda pior na lista (Vila Cafezal/Rua Pouso Alto), seguida da 3301 B (Castelo), 1404 C (Palmeiras/São Salvador) e 107 (Vila Marçola/Rua do Ouro). O metalúrgico Daniel dos Santos, de 26 anos, é uma das vítimas do aperto. Diariamente, embarca no 309 justamente no horário de maior carregamento, entre as 5h24 e as 7h06, e retorna para casa às 18h. “Tanto de manhã quanto à tarde, o ônibus fica lotado. Viajamos espremidos, uma situação muito inconveniente”, reclama, dizendo que o trânsito lento, nesses horários, prolonga a tortura: “Gasto mais tempo entre minha casa e a Estação Diamante do que até o meu trabalho, que é em Contagem”, afirma. Para as mulheres, como a empregada doméstica Rosilda das Virgens Barbosa, de 31, a situação é constrangedora. “No empurra-empurra, tem muito homem que aproveita da gente. É um absurdo e o pior é que, muitas vezes, não tem como mudar de lugar”, observa. A professora Geralda Costa Lage de Almeida, de 48, diz que, antes de chegar à Estação Diamante, o 309 passa pelos bairros Vila Santa Rita, Vale Jatobá e Petrópolis. “O trajeto é curto para ter tantas paradas. Isso causa um transtorno muito grande”, diz. Passageiros do microônibus 103, que atende aos moradores do Aglomerado da Serra, na Região Centro-Sul de BH, também têm motivos de sobra para reclamar. O excesso de passageiros é de 46% entre as 6h05 e as 7h42, a segunda pior marca da capital. O veículo é menor que os outros justamente para poder costurar as vielas do morro com facilidade. Mas a falta de planejamento faz com que a frota não dê conta de toda a demanda: cabem 43 pessoas em pé e sentadas, mas ele leva, em média, 62. A desempregada Sideny de Souza, de 20 anos, descreve bem a cena: “Ficamos entalados. Além de ser pequeno, o coletivo tem apenas uma porta e uma roleta. As pessoas entram e saem pelo mesmo lugar. De tão cheio, às vezes fico no ponto aguardando o coletivo e os motoristas não param, por causa do excesso de pessoas. Deixo passar de dois a três e só consigo embarcar no quarto. Muitos perdem dia de serviço por causa disso. É preciso colocar mais veículos com urgência”, reivindica. Reclamações não servem para nada A má qualidade do serviço de ônibus de Belo Horizonte também se expressa no volume de reclamações encaminhadas à BHTrans. De janeiro a maio, foram 6.663 queixas de passageiros, inconformados não só com a superlotação. A maioria é contra os motoristas que não param no ponto quando requisitado, atitude conhecida como “janelada”. Foram 1.845 telefonemas, cartas e e-mails, 27% do total. As líderes são as linhas 2210 C (Piratininga, via Rio Branco) e 5523 A (Conjunto Paulo VI). O gerente de coordenação de Projetos de Transportes da empresa, Daniel Marx, admite que, na maioria das vezes, o choro é em vão. “Geralmente, fica a palavra do usuário contra a do operador. Com a tecnologia que temos hoje, não há como provar esse tipo de coisa. Se o motorista não parou por falta de vaga no ônibus ou outro motivo, não temos como saber”, afirma. O garçom Julimar Pereira dos Santos, de 35, diz que o problema é mais comum à noite. Ele embarca no 2210 de madrugada, no Centro, e quase nunca sabe se vai conseguir. “Será que hoje ele vai parar?”, questiona-se, diariamente, acrescentando que, quando há jogo no Mineirão ou show no trajeto do ônibus, o problema é comum: “Ele não pára mesmo. Uma vez, cheguei ao ponto à 1h30 e consegui entrar em um coletivo somente às 4h30, enquanto havia apresentação musical na Praça da Estação. E o coletivo não estava cheio”. O descumprimento dos quadros de horários é vice-líder, com 1.817 queixas (27,2%). Os principais alvos do cidadão são as linhas 9250 (Nova Cintra/Caetano Furquim) e 601(Nova York/Juliana). Para a vendedora Urânia Pereira da Silva, de 37, a falta de organização das linhas é o principal motivo do problema. “Fico de 30 a 50 minutos esperando o ônibus e nada. Quando o coletivo aparece, vêm dois juntos. Já perdi serviço por conta da falta de compromisso de quem administra esses horários”, reclama. Também sobram críticas ao mau comportamento de motoristas e cobradores, terceiro maior incômodo do passageiro de BH. Elas somam 1.646 (24,7%), com as linhas 9250, 5523 A e (Anchieta/Dom Cabral) na dianteira. “A gente repassa os casos para o empresário tomar providências e, se o problema é recorrente, botamos fiscal para verificar a situação. Além disso, temos curso de treinamento dos operadores, que trabalha a abordagem ao usuário”, afirma Marx. Expresso lotação (Linhas que excedem a capacidade nos horários de pico. Percentual de passageiros a mais)
Fonte: BHTrans / Estado de Minas |
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| Última atualização em Ter, 15 de Julho de 2008 12:18 | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||



BHTrans anuncia aumento da frota e do número de viagens em 97 linhas de ônibus, para acabar com superlotação, depois da assinatura de contrato com os novos concessionários
Vida de passageiro de ônibus não é fácil. Mas vida de passageiro da linha 309 (Petrópolis/Estação Diamante) pode ser ainda pior. É esse o coletivo que lidera o ranking da superlotação em Belo Horizonte. Relatório da BHTrans mostra que os veículos chegam a carregar, em horários de pico, número de pessoas 51% maior que a capacidade. Isso significa que, onde cabem 69 sentados e em pé, entram 104. Parece impossível às leis da física, mas quem não tem outra opção de transporte acaba se virando. Dentro de uma “lata de sardinha”, cada centímetro para colocar o pé, greta de janela para respirar melhor e pedaço de ferro para se segurar valem ouro. 
