Home » Notícias » Transporte » Sem trocador, ônibus fica mais inseguro
 
Sem trocador, ônibus fica mais inseguro PDF Imprimir E-mail
Qui, 14 de Agosto de 2008 08:20
Muitos atendem os usuários com o veículo ainda em movimento

Além de dirigir, parte dos motoristas de ônibus do transporte público na Grande Belo Horizonte tem acumulado a função de trocador, assumindo o risco de se envolver em acidentes. Pressionados a cumprir o quadro de horários das viagens, chegam a cobrar as passagens com o veículo ainda em movimento. O problema, comum em linhas gerenciadas pela Secretaria de Estado de Transportes e Obras Públicas (Setop), foi constatado ontem pela reportagem de O TEMPO.

Um motorista da linha 7100 (Novo Riacho/Flávio Marques Lisboa), que preferiu não se identificar, afirma não conseguir cobrar a tarifa com o veículo parado, pois, além de prejudicar o trânsito, atrasa a viagem. "Sofremos pressão para cumprir o tempo de cada viagem. Já temos os congestionamentos e, se ficarmos parados, a demora aumenta e o passageiro reclama", diz o profissional, que se sente inseguro por estar ao volante ao mesmo tempo em que atende os passageiros. "Quase me envolvi em batida por causa disso. Um carro entrou na minha frente de uma vez e eu estava contando as moedas. Por sorte consegui frear a tempo."


Desde março de 2007, a função de trocador começou a ser extinta de algumas linhas dos chamados ônibus vermelhões, principalmente daquelas com baixa demanda de passageiros.
De acordo com a Setop, dos 2.500 veículos da frota metropolitana, 369 (14,76%) circulam sem cobrador. Desse total, 284 são de porte médio (com duas portas, de embarque e desembarque) e 85 são microônibus. Eles operam em 210 linhas de 13 municípios da região metropolitana.

O perito criminal Paulo Ademar de Souza Filho, especialista em direção defensiva e em segurança em transporte, explica que o motorista que faz a cobrança da passagem com o veículo em movimento fica com a atenção dispersa. "Quando ele precisar tomar uma atitude imediata, o acidente vai ocorrer", afirma Filho.

Ele ressalta que o motorista trabalha com pressão de ruídos, ambiente de calor, fazendo movimentos o tempo todo e que, por isso, não deveria exercer duas funções simultâneas.

Usuários. Os passageiros também não sentem confortáveis com a situação. O operador industrial Alexsandro Moreira, 26, usuário da linha 2880 (Pindorama/ Cidade Industrial), reclama da superlotação e da falta de segurança. "Sempre vejo o motorista dirigindo de olho no dinheiro da passagem. Sei que não é culpa dele, mas, se não fizer isso, a viagem demora ainda mais".
A estudante Edilene Cristina Soares, 20, ressalta que a entrada dos passageiros nos microônibus (que possuem apenas uma porta) é demorada. "O motorista tem que cobrar a passagem na entrada. Aí fica gente no degrau e do lado de fora esperando. Enquanto isso, a fila de ônibus no ponto só vai aumentando", afirma.

O assessor técnico da Setop, Lindberg Garcia, explica que os microônibus são utilizados para dar maior velocidade e permitir intervalos menores entre as viagens. Entretanto, pela estrutura desses veículos, não haveria como incorporar a figura do trocador.

Garcia reconhece haver certa demora no embarque quando o passageiro não utiliza vale-transporte e precisa de troco. Segundo ele, com a implantação da bilhetagem eletrônica, prevista para começar ainda neste ano nas linhas metropolitanas, a tendência é que o embarque de passageiros seja mais rápido e o risco de assaltos, menor.

Garcia garante que a segurança no transporte público não está prejudicada pela dupla função dos motoristas. "Eles são orientados a cobrarem a passagem com o veículo parado, em local seguro", afirmou.

Fonte: OT

Última atualização em Qui, 14 de Agosto de 2008 09:17