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Metrô de Beaga sufocado PDF Imprimir E-mail
Sex, 05 de Setembro de 2008 10:32
Número de passageiros da única linha do trem metropolitano de BH cresce e a frota é a mesma. Moradores reclamam de superlotação e da longa espera para viajar sem aperto
O metrô de Belo Horizonte registrou aumento de três milhões de passageiros no confronto entre os oito primeiros meses de 2008 e o mesmo período de 2007: passou de 25,6 milhões para 28,6 milhões. A Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) comemora o indicador, mas, para moradores, a estatística reforça a necessidade de a empresa pública pôr mais composições nos trilhos, pois alegam que os carros da Linha 1, que liga as estações Vilarinho, em Venda Nova, e Eldorado, em Contagem, já não conseguem atender todas as pessoas no horário de pico. Mais do que isso: mostra a necessidade de o governo federal transformar em realidade a antiga promessa de construir as linhas 2 (Barreiro/Santa Tereza) e 3 (Pampulha/Savassi), para ampliar o serviço e levá-lo a outros bairros.

O coordenador de Operação do metrô, Luís Prosdocimi, adianta que, a partir do dia 16, dois novos trens estarão nos trilhos, aumentando para 21 a frota diária. Os intervalos entre as composições também serão reduzidos. No horário de pico, será diminuído de 4,5 minutos para 4 no sentido Vilarinho/Centro. À tarde, de 12 minutos para 10. Já na direção contrária, Eldorado/Centro, o intervalo será o mesmo – cinco minutos –, pois pesquisas mostram que não há necessidade de alterações. Ele avalia que o aumento do número de passageiros, cuja média diária subiu de 107 mil, em 2005, para 162 mil, este ano, se deve ao caótico trânsito de BH e ao preço do bilhete. A tarifa, de R$ 1,80, é menor do que a do ônibus urbano (R$ 2,10).

“O trem leva 27 minutos da Vilarinho à estação Central e quem faz o mesmo percurso de carro ou de ônibus gasta muito mais tempo na Avenida Cristiano Machado. Da estação Eldorado ao Centro, o trajeto de trem é feito em 17 minutos”, diz Luís, acrescentando que o aumento se deve também a outros fatores, como a ampliação do sistema que integra as linhas de ônibus a cinco estações do metrô. Há cerca de 200 linhas integradas. Mas, enquanto o reforço não chega aos trilhos e as linhas 2 e 3 não saírem do papel, os passageiros da Linha 1 continuarão sofrendo com vagões lotados.

A analista de produtos e serviços Eliete Pratti, que embarca na estação Waldomiro Lobo, na Região Norte, diz que sofre para entrar no trem pela manhã. “Somos pessoas e não carga! Anteontem, fiquei meia hora na estação. Cheguei às 7h20 e só consegui embarcar no terceiro trem. Os outros dois passaram lotados. Desci no Centro só às 8h17. O slogan do metrô parece ironia: conforto, segurança, rapidez. Certamente a administração pública não se sensibiliza com nosso sofrimento.”

A CBTU informou, por meio de nota, que “não há conformismo na direção (da empresa) nem entre o corpo técnico e que as reivindicações de investimentos são constantes: tanto para melhoria da Linha 1 como para construção de um sistema metroferroviário na capital. Dentro do possível e da disponibilidade financeira, o metrô de BH é, de acordo com suas características, o melhor prestador desse tipo de transporte no Brasil”.

Ampliação ainda é promessa

Crescimento do número de passageiros surpreende CBTU e o plano de abertura das linhas 2 e 3 ainda está no papel. Trabalhadores criam estratégia para não viajar em pé
Fotos: Sidney Lopes/EM?D. A Press
Como a dificuldade para embarcar nos vagões é muito grande, os passageiros deixam de lado a cortesia para conseguir lugar

O crescimento acelerado do número de passageiros no metrô de Belo Horizonte nos últimos meses levou a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) a estimar que, até o fim do ano, 45 milhões de bilhetes terão sido usados no sistema. O aumento da quantidade de pessoas que embarcam e desembarcam nas estações é tão grande que surpreendeu a própria direção da empresa: a média diária de usuários subiu de 151 mil, em junho, para 162 mil em agosto. “Superou qualquer expectativa”, diz o coordenador de Operação da CBTU, Luís Prosdocimi. Para fugir da superlotação no horário de pico, alguns passageiros a adotam estratégias curiosas para não chegar atrasado ao trabalho ou à escola.





Trabalho no Centro de BH, mas,
 em vez de pegar o trem no
sentido Waldomiro Lobo/Praça da
Estação, vou, em outra composição,
em direção contrária, até
Vilarinho, para
retornar numa vazia


Sheila Lopes, operadora de caixa.




Enquanto uma multidão disputa espaço na plataforma da Waldomiro Lobo, na Região Norte, à espera do trem, a operadora de caixa Sheila Lopes, de 30 anos, achou uma solução que lhe garante um lugar no vagão: “Trabalho no Centro de BH, mas, em vez de pegar o trem no sentido Waldomiro Lobo/Praça da Estação, vou, em outra composição, em direção contrária, até Vilarinho, para retornar numa vazia. Só assim consigo viajar sentada e chegar a tempo ao serviço”. Cada composição tem quatro vagões que comportam1.026 pessoas. A estudante do 8º período de administração Josie Martins, de 28, nem sempre consegue viajar no primeiro trem que passa na estação São Gabriel.

“A gente se sente dentro de uma lata de sardinha. Às vezes, passam dois metrôs e só consigo ir no terceiro. Já tentei outro horário, mas não é muito diferente”, reclama, depois de não conseguir entrar na composição que passou na São Gabriel às 7h50. Mas Luís Prosdocimi acredita que o sufoco vai acabar dia 16, quando a empresa pôr mais duas composições nos trilhos, o que vai reduzir o intervalo entre as viagens. Ele acrescenta que, em 2010, o governo deve comprar outros 10 trens. O custo de cada locomotiva gira em torno de R$ 30 milhões.

“Devemos receber dinheiro do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) este ano. As novas composições terão seis vagões. A capacidade é para cerca de 1,8 mil passageiros”, adianta Prosdocimi. A necessidade de a CBTU ampliar o investimento no sistema também gera reflexo no trânsito da capital. Como cada trem transporta até 1.026 passageiros por viagem, isso representa 12 ônibus lotados. A CBTU estuda a possibilidade de expandir a Linha 1 até a nova sede administrativa do governo estadual, que está sendo construída no Bairro Serra Verde. São 4,5 quilômetros a mais. “Em média, cada quilômetro demanda US$ 25 milhões. O valor já abrange tudo: trem, trilho, sinalização etc”.

ESPERANÇA Por outro lado, a CBTU ainda não sabe a data certa de quando as prometidas linhas 2 (Barreiro/Santa Tereza) e 3 (Pampulha/Savassi) vão sair do papel. “Tecnicamente, é possível construí-las para a Copa do Mundo de 2014, que será realizada no Brasil (BH será sede de jogos). A Linha 2 terá 12,5 quilômetros e a 3, 16,5 quilômetros”, acrescenta Luís. “Tomara que o sistema melhore, porque só consigo viajar em pé”, lamenta Roseli Aparecida Rosa, de 42, moradora do Bairro Dom Silvério, que embarca na Waldomiro Lobo. O sofrimento de muitos passageiros começa na entrada das estações, pois quem não compra passagem com antecedência enfrenta longas filas na bilheteria no horário de pico. Os funcionários dos caixas são rápidos no atendimento, mas não conseguem evitar reclamações.
Fonte: EM


PARCERIA

O gerenciamento do metrô de Belo Horizonte foi um dos assuntos tratados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o governador Aécio Neves (PSDB), anteontem, durante vôo de Brasília para a capital mineira – onde o petista participou da abertura do 7º Festival do Lixo e Cidadania. De acordo com o governador, logo depois das eleições eles terão um encontro para a apresentação de um modelo, formatado pelo governo estadual, para uma parceria público-privada (PPP). “Defendo uma PPP no sistema de transporte metropolitano de BH. Caso contrário, vamos ficar permanentemente dependentes da boa vontade deste ou daquele governo”, afirmou Aécio Neves. A expectativa é que em janeiro seja lançado o edital de licitação para a escolha do operador do metrô, que terá investimentos de R$ 2 bilhões.
Última atualização em Sex, 05 de Setembro de 2008 10:49