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Problema é a fiscalização PDF Imprimir E-mail
Ter, 18 de Novembro de 2008 15:08

BHTrans promete rigor para garantir respeito a horários de circulação de ônibus, mas quanto ao excesso de passageiros reconhece que o sistema ainda falha

A BHTrans garante que não vai dar trégua à empresa de ônibus que desrespeitar as novas regras do transporte público de Belo Horizonte, em vigor desde sábado, mas que ontem, no primeiro dia útil da portaria, foram descumpridas por várias linhas. A norma determina que, de segunda-feira a sábado, o tempo máximo de partida dos coletivos seja de 20 minutos no horário de pico e de meia hora fora dele. Aos domingos e feriados, máximo de meia hora. Ontem, passageiros ficaram nos pontos por até mais de 60 minutos. Como reflexo, concessionárias desobedecem outra ordem: a que estipula o máximo de cinco passageiros em pé por metro quadrado. No Barreiro, veículos deixaram a estação Diamante abarrotados. O problema é que o sistema de fiscalização da BHTrans não é 100% confiável, segundo a própria empresa.

De acordo com a BHTrans, as empresas infratoras serão multadas em até R$ 147,52. A fiscalização é feita por um equipamento acoplado ao tacógrafo do ônibus, que indica o tempo da partida. “O dado (hora da saída) não é manipulável. Não há como fraudá-lo. As concessionárias são obrigadas a cumprir os padrões de qualidade. Se não ocorrer, vamos punir”, garante Jussara Bellavinha, diretora de Desenvolvimento e Implantação de Projetos da autarquia.

Jussara lembra que a portaria prevê um tempo de tolerância. Para viagens com intervalo acima de 20 minutos, máximo de 10 minutos. Naquelas abaixo de 20 minutos, conta-se a metade do tempo, ou seja, partidas com intervalo de cinco minutos têm tolerância de dois e meio. Hoje, deve ser divulgado o balanço das linhas que desobedeceram a regra no fim de semana. Já em relação ao excesso de passageiros, cuja multa é do mesmo valor, a medição é feita pelo sistema de bilhetagem eletrônica, que também não permite fraude, mas “não é 100% confiável”. Isso porque ele mostra quantas pessoas entraram e desceram do coletivo numa viagem, mas não especifica o número que ficou no ônibus ao mesmo tempo. Essa conta é feita aplicando sobre o total de passageiros alguns indicadores, como a rotatividade.

Por outro lado, a BHTrans garante que não haverá prejuízo para a população, pois a fiscalização é concentrada nas planilhas dos horários de pico e nas reclamações dos passageiros. A portaria prevê ainda que daqui a dois anos todos os veículos sejam equipados com sensores programados para detectar a entrada e a saída de pessoas. E, diferentemente da bilhetagem, o novo sistema vai calcular a quantidade de passageiros que ficou no ônibus ao mesmo tempo. “Só será 100% confiável”, acrescenta Jussara.

FLAGRANTE

O Estado de Minas percorreu vários pontos de ônibus e constatou que algumas linhas melhoraram o serviço, mas flagrou outras desrespeitando as normas. Na linha 4034 (Novo Dom Bosco/Savassi), o intervalo foi alterado para atender o público e dois coletivos foram integrados à frota. Na 4501 (Califórnia II/São Paulo), os horários de saídas também foram reduzidos para, em média, 12 minutos.

Mas outras empresas não cumpriram o que reza a portaria, como a 9214 (Caetano Furquim/Havaí), que deixou passageiros esperando no ponto por muito mais tempo do que o permitido. “Estou aqui (na Praça Sete) há mais de uma hora. É falta de respeito. Teve gente que pegou outro ônibus, pois cansou de esperar. Para piorar, o ponto sequer tem banco para sentarmos”, critica a doméstica Cláudia Aparecida Luiza, alegando cansaço nas pernas. Ela não foi a única: “Já estou esperando o 8205 (Maria Goretti/Nova Granada) há 35 minutos”, lamentou a técnica em edificações Fernanda Queiroz, de 28 anos, que só embarcou cinco minutos depois.

O desrespeito com o passageiro não se resume ao tempo de espera e à superlotação. Houve cobradores que não tinham à disposição o cartão BHBus, o que é exigido pela empresa que gerencia o trânsito de BH. Na prática, a falta da moeda de plástico prejudica os passageiros, pois não permite que eles se beneficiem do meio-bilhete. O programa, lançado pela prefeitura há alguns meses, permite que a pessoa pague metade do preço na segunda viagem, caso ela seja feita em até 90 minutos depois da primeira.

E o único modo de comprovar o tempo é com o cartão BHBus. Sem ele, o passageiro deixa de desfrutar um importante benefício. No carro 7474 da linha 9204 (Santa Efigênia/Estoril), o cobrador não portava o cartão: “Infelizmente, estou sem”. A procura pela moeda de plástico, que garante a meia-passagem, depende do bairro, pois há trocadores que dizem ter deixado de vendê-la, por falta de pedidos, há mais de um mês. Outros profissionais informam que negociam, em média, quatro por dia. Essa regra não é nova, mas continua sendo descumprida.

REAJUSTE

Os moradores de BH vão saber, no mês que vem, de quanto será o reajuste da passagem de ônibus. Os novos valores serão calculados com base em indicadores que levam em conta a variação, entre novembro de 2007 e este mês, dos preços do diesel, cujo peso será de 25%; da rodagem, 15%: do veículo, 20%; dos custo com pessoal,40%; e despesa com administração, 10%. Os taxistas também pleiteiam aumento do preço da corrida e hoje representantes da categoria devem enviar à BHTrans o percentual de reajuste reivindicado.

Última atualização em Qui, 27 de Novembro de 2008 08:10