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Contratar seguro-fiança encarece aluguéis PDF Imprimir E-mail
Ter, 28 de Setembro de 2010 19:18

Contratar o seguro-fiança com a intenção de ficar livre do constrangimento de arranjar fiador pode significar pagar até 15 alugueis no ano.

As corretoras de seguros costumam “vender”o pacote básico da cobertura da fiança por valores equivalentes a um mês de aluguel.

Na prática, porém, o valor da apólice vai atingir a média de três aluguéis, pois as imobiliárias só aceitam o seguro locatício caso a corretora cubra despesas extras com taxa de condomínio, contas de água e luz, Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e pintura interna do imóvel durante seis meses, até a conclusão da ação de despejo do inquilino devedor.

O custo dessa modalidade de seguro promete cair com o aquecimento do mercado de locação em Belo Horizonte – que teve alta de 8,66% nos sete primeiros meses deste ano, segundo a última pesquisa do Instituto de Pesquisas Econômicas e Administrativas (Ipead-UFMG) –, mas o valor da apólice ainda pesa no bolso do inquilino.

“Com a melhora no perfil de risco dos inquilinos e o aumento do número de contratos, o valor tende a cair naturalmente”, acredita Luiz Carlos Henrique, gerente da Porto Seguros, líder no segmento. Ele lembra que, no ano passado, os preços subiram de 15% a 20% em função do aumento da inadimplência sob o impacto da crise mundial de crédito.

“O mercado do seguro-fiança tende a crescer, pois é sempre desagradável depender do favor de parentes que assinem como fiadores. Além disso, as alterações na Lei do Inquilinato (em vigor desde janeiro) podem contribuir para essa expansão, devido à maior facilidade do fiador de se desvencilhar do contrato.

Hoje, a responsabilidade do fiador termina no fim do contrato, enquanto o seguro-fiança cobre as despesas até a entrega da chave, caso o inquilino insista em permanecer no imóvel sem pagar”, compara Neival Rodrigues Freitas, diretor-executivo da Federação Nacional de Seguros Gerais (Fenseg).

“Jamais deixaria de honrar com o aluguel, mas nem cheguei a pedir à minha família para ser fiadora do contrato. Achei melhor resguardar as relações”, conta a professora universitária Andreza Santos Xavier, de 32 anos. Ela já quitou duas das quatro parcelas de R$ 265 para garantir o contrato de um apartamento de três quartos em Santa Luzia, cujo aluguel custa R$ 500 por mês. O seguro tem duração de um ano e precisa ser renovado.

O seguro-fiança é alternativa para quem está de mudança de outros estados e não conhece ninguém na região, mas nem sempre é bem aceito pelas imobiliárias. “Ainda prefiro a figura do fiador, mas o seguro-fiança saltou 40% na minha imobiliária este ano”, afirma Andréa do Carmo Alves, delegada do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Minas Gerais (Creci-MG).

No mês passado, ela enfrentou problemas com um inquilino, que deixou de pagar o aluguel e inclusive as prestações do seguro-fiança. “Ele pagou apenas a primeira das quatro prestações. Entrei em contato com a seguradora, que me mandou uma carta eximindo-se da responsabilidade sobre o contrato. Como vou explicar isso para o dono do imóvel?”, protesta. Segundo a Porto Seguro, a inadimplência nos contratos é inferior a 10%.
Fonte: EM

Última atualização em Ter, 28 de Setembro de 2010 19:30