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Mulher vira chefe de família PDF Imprimir E-mail
Qua, 17 de Dezembro de 2008 08:18

Nos últimos 15 anos, elas passaram a ocupar o posto em um terço dos lares, segundo dados do Ipea sobre desigualdades

Os brasileiros estão se assumindo mais como negros e o índice de mulheres como chefes de família cresceu 10 vezes nos últimos 15 anos. Os dados fazem parte da pesquisa Retratos das Desigualdades, divulgada ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que delineia aspectos estruturais da sociedade brasileira.

A terceira edição do levantamento faz estudo aprofundado sobre questões de gênero e raça, entre 1993 e 2007, e revela contrastes sociais e financeiros entre mulheres, homens, negros e brancos. O balanço mostra que houve avanço no mercado de trabalho, educação, melhoria na saúde e saneamento básico para todos os grupos analisados. No entanto, as desigualdades permanecem elevadas entre eles, mas, segundo os responsáveis pela pesquisa, a inclusão social é o único caminho para nivelar a qualidade de vida da população.

Um dos destaques da pesquisa mostra que, entre 1993 e 2007, a proporção de negros no país passou de 45,1% para 49,8%, enquanto a de brancos decresceu de 54% para 49,4%. Uma das responsáveis pelo estudo, a cientista política Natália Fontoura observa que o crescimento ocorreu não pelo aumento demográfico de negros, mas, sim, pela autodefinição dos brasileiros. Entre a população masculina, os negros são maioria desde 2005, representando 51,1% da população, enquanto os brancos são 48,1%. Já entre as mulheres, a tendência de crescimento também é verificada, mas as negras ainda são minoria: 48,5%, diante de 50,6% da população branca.

“O que explica o incremento é que os negros e pardos estão se identificando mais com a raça. Eles estão deixando de dizer que são brancos ou pardos e levam em consideração a cor da pele, além de outras características físicas. Acreditamos que isso foi estimulado pela aplicação do sistema de cotas e bônus na educação. A população reflete e, assim, se assume mais. Com base nos números, percebemos que há igualdade entre as pessoas que se dizem brancas e negras”, observa a pesquisadora.

Nos últimos 15 anos, as mulheres conquistaram mais espaço no mercado de trabalho e já ocupam o posto de suporte financeiro em um terço das famílias brasileiras. Os dados mostram que em 1993 elas eram arrimo de 3,4% das famílias no país, o que significava, à época, 301 mil núcleos familiares. Em 2007, a taxa subiu para 18,3% de mulheres como chefes, o que equivale a 3,6 milhões de famílias. “E a tendência é de aumentar ainda mais. Não sabemos precisar um limite, mas há certeza de avanço nessa área”, afirma Natália. Apesar dessa realidade, o instituto calcula que o Brasil pode levar 87 anos para igualar salários de homens e mulheres.

A empregada doméstica Lourdes Ferreira da Silva, de 42 anos, mora no Bairro Vista Alegre, na Região Oeste de BH, e confirma esses números. Por dificuldades financeiras, ela conta que trabalha desde a infância e nem sequer pensa em se aposentar. “Pago 100% das despesas da minha família. E, infelizmente, não posso contar com a ajuda do meu marido. Ele trabalha, mas não faço compromisso financeiro esperando apoio dele. Graças a Deus, tenho saúde e força de vontade para criar meus dois filhos”, afirma.

Fonte: EM