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Água da chuva traz economia PDF Imprimir E-mail
Sáb, 24 de Janeiro de 2009 16:55

Evitar o desperdício e ainda gerar economia. Em Belo Horizonte, edifícios, postos de gasolina, escolas e indústrias armazenam água de chuva para enxugar custos. O posto Bom Bom, no Bairro Santa Efigênia, na Região Centro-Sul da capital, encontrou a solução na construção de um reservatório de 20 mil litros. O volume servirá para lavar mais de 330 carros, já que uma ducha gasta aproximadamente 60 litros. “Dava pena ver tanta água, que também é dinheiro, indo embora ralo abaixo. Queríamos um posto diferenciado, com conceito ecológico. Por isso, investimos em captação de água pluvial e energia solar”, afirma a proprietária, Geli Teixeira Matos, sem revelar o valor do investimento.

O sistema de armazenamento de água de chuva consiste em uma espécie de calhas, instaladas normalmente em telhados e outras áreas impermeáveis. A condução ou encaminhamento se dá por meio de tubulação hidráulica. A água é filtrada e depositada num reservatório comum, onde é tratada e distribuída para uso não potável, ou seja, não serve para consumo humano.

O colégio Marista Dom Silvério, na Zona Sul de Belo Horizonte, também adotou medidas que evitam o desperdício e ainda trazem economia para a instituição de ensino. “Mais que a redução de gastos, estamos conseguindo espalhar essa consciência entre funcionários e alunos”, ressalta o diretor-financeiro, Marcelo Barbosa. Ele explicou que duas caixas d’água de 3 mil litros fazem captação de água de chuva que, em um projeto piloto, é usada para lavagem de pátio. Barbosa pondera que a captação também exige cuidados.

Ivanildo Hespanha, professor da Universidade de São Paulo (USP) e diretor do Centro Internacional de Referência em Reuso da Água (CIRRAN), diz que a utilização da chuva pode reduzir pela metade os gastos com o consumo de água. “Em edifícios comerciais ou residenciais, a água captada de chuva para uso em descarga sanitária pode gerar economia de 30%. Se também for utilizada para irrigação de área verde e lavagem de estacionamento e áreas comuns, a economia pode chegar a 70%”, exemplifica. Em unidades industriais, a captação, somada com o reuso da água utilizada, pode atingir 90%. “Essa prática já é comum em outros países e, agora, está chamando a atenção de brasileiros”, salienta.

ENXURRADA A Belgo Bekaert, controlada pela ArcelorMittal Aços Longos, com unidade em Contagem, Grande BH, deixou de captar água em poços artesianos e de comprar da concessionária, no caso da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), para usar a água de chuva na estação de tratamento de resíduos industriais. “Antes, o que caía no telhado não era aproveitado. Agora, colaboramos até mesmo para evitar enchentes no município. As construções da cidade impedem a infiltração de água no solo, que aumentam a enxurrada e elevam o volume dos rios”, explica, sem apresentar números, o gerente de Meio Ambiente, José Otávio Andrade Franco.

Para o professor de Hidrologia Ambiental da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Celso de Oliveira Loureiro, a construção de reservatórios em regiões urbanizadas, em função do espaço, seria o principal complicador. Contudo, por menor que seja, já contribui para reduzir impactos ambientais e no bolso do consumidor. “A chuva gera oportunidade agora. Ao longo do ano, na falta dela, a conscientização em evitar desperdícios vale mais que a economia com o reuso da água”, afirma.

O prédio da construtora RKM no Bairro Funcionários, Centro-Sul de Belo Horizonte, vai ao encontro da avaliação do professor Loureiro. Não construiu reservatório para água de chuva, mas conta com ampla área permeável. Dos 2,1 mil metros quadrados de terreno, a taxa de ocupação da área construída é de 30%. O projeto hidráulico consta de redutor de vazão de água para chuveiros e vasos sanitários, com o objetivo de reduzir o volume de água por utilização. Com essa iniciativa, os moradores têm redução no seu consumo de aproximadamente 40% ao ano. Fonte: EM