Blog Léo Quintino
| Valorizando a vida |
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| Sáb, 12 de Julho de 2008 18:47 |
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Mãe e filha dão exemplo de trabalho voluntário no Bairro Santa Cruz, em Belo Horizonte, onde combinam terapia e dança para ajudar grupo de terceira idade a aproveitar o dia-a-dia Elas são companheiras em casa e na solidariedade. Mãe e filha se uniram para o nobre propósito de levar conforto e alegria aos corações desalentados. Três vezes por semana, reservam a tarde para fazer um trabalho pelo qual nada recebem em troca, a não ser sorrisos de gratidão. Há quase quatro anos, a dona-de-casa Maria de Fátima Dias Mayrink Garcia, de 54 anos, e a psicóloga Letícia Mayrink, 25, ajudam um grupo de aproximadamente 50 idosos, moradores do Bairro Santa Cruz, na Região Nordeste de BH, a aproveitar essa fase e a não se entregar aos problemas decorrentes da idade.Tudo começou com Letícia, que precisava de um estágio para complementar a grade curricular da faculdade onde estudava. Uma de suas professoras indicou o Grupo de Convivência da Terceira Idade São Pio X, na Rua Dona Ester de Lima, 251. Todas as quintas-feiras, a garota investia esforços nas atividades na área de psicomotricidade, dinâmica relacionada à memória e à concentração. Antes, são feitos alongamentos, para aquecer o corpo. O tempo passou, o curso da universidade terminou e, quando deu por si, nada de abandonar o trabalho. A profissional resolveu ficar e dar continuidade ao que estava sendo feito. Há cinco semanas, a psicóloga começou uma nova etapa com os alunos. A dança sênior, uma mistura do folclore de diversas partes do mundo, originária da Alemanha e que chegou ao Brasil em 1993, está encantando a turma. Além de trabalhar os movimentos, evita dores e também ajuda na capacidade de concentração. Todas as sextas-feiras, das 15h30 às 17h30, é hora de soltar o corpo e deixar a mente fluir no espetáculo da liberdade. "Tudo isso me dá um retorno tão grande que, em vários momentos, penso que, em vez de fazer, estou, na verdade, recebendo", diz Letícia. Ela afirma que os resultados clínicos surgiram com o tempo. "Ocorreram depois de dois ou três anos. Há caso de uma paciente em depressão que mudou o quadro depois de freqüentar as aulas. Outros resistiam em participar, mas, com um pouco mais de atenção, readequaram a postura", conta. Com voz tranqüila e serena, a psicóloga se recorda de que a ajuda do grupo da Igreja São Pio X foi essencial para superar uma fase difícil. Além do pessoal do Bairro Santa Cruz, Letícia passa algumas horas na biblioteca do centro espírita que freqüenta, no Bairro Floresta, na Região Leste de BH, todas as quartas-feiras. Ela faz atendimento ao público e, como boa profissional, acompanha e dá atenção a quem arruma nos livros apenas uma desculpa para desabafar e conversar. O Grupo de Convivência da Terceira Idade São Pio X foi criado há 12 anos. Atualmente, há 54 pessoas acima de 60 anos registradas, das quais apenas um homem. De acordo com a coordenadora, Maria Pura Malvar Pereira, de 77 anos, os alongamentos, as ginásticas e a quadrilha, marcada para o dia 17, são uma alegria geral. "Ninguém pensa em dinheiro e está aqui porque quer. Todos são voluntários e ganhamos apenas a amizade. O trabalho delas (Letícia e Maria de Fátima) é um conforto. É o amor delas por nós e o nosso por elas." Ação em conjunto Ela começou sozinha. No salão da igreja, onde ocorrem as reuniões, não havia mais ninguém. Por isso, Maria de Fátima resolveu ajudar a filha, organizando mesas aqui, distribuindo objetos acolá, até se tornar mais uma integrante do trabalho. Na biblioteca, também não ficou para trás e marca presença semanalmente. “Vim inicialmente para sair um pouco de casa, mas me apaixonei pela turma. É muito gratificante. De repente, fiz amizade com mais de 30 pessoas. Dividimos muitas coisas e os problemas ficam lá fora. Estamos aqui para sermos felizes”, ressalta a mãe. Ela quer ampliar o leque e participar da distribuição da sopa e de pães à população de rua. Segundo ela, depois de um grave problema de saúde, sua visão sobre o mundo mudou. “Temos uma noção muito limitada da vida, que é muito mais do que isso que vemos todos os dias. Ela é como um barco que abriga todo mundo, indo na mesma direção, com todos se ajudando”, afirma. “Tenho muito orgulho da minha filha por causa disso, por ela ter tomado esse caminho e por ser uma escolha que partiu dela”, afirma. Remuneração, por enquanto, só com os outros grupos de dança sênior que está montando. A preocupação agora é o que fazer quando arrumar um emprego. Largar as atividades com a terceira idade, nem pensar. Letícia aponta o caminho para quem quer seguir a lição. “Primeiro, é preciso vontade. Depois você se apaixona e não sai mais. No caso desse grupo de idosos, é fundamental enxergar o que se passa com cada um. É um pequeno gesto que dá um retorno enorme. Acho que está faltando solidariedade, mas vejo outros exemplos e percebo que as pessoas estão querendo mudar. Às vezes, elas não sabem por onde começar, mas há vários lugares e muita gente precisando de um pouco de atenção.” (JO) Fonte: EM |
| Última atualização em Qua, 16 de Julho de 2008 17:00 |



Elas são companheiras em casa e na solidariedade. Mãe e filha se uniram para o nobre propósito de levar conforto e alegria aos corações desalentados. Três vezes por semana, reservam a tarde para fazer um trabalho pelo qual nada recebem em troca, a não ser sorrisos de gratidão. Há quase quatro anos, a dona-de-casa Maria de Fátima Dias Mayrink Garcia, de 54 anos, e a psicóloga Letícia Mayrink, 25, ajudam um grupo de aproximadamente 50 idosos, moradores do Bairro Santa Cruz, na Região Nordeste de BH, a aproveitar essa fase e a não se entregar aos problemas decorrentes da idade.
Ela quer ampliar o leque e participar da distribuição da sopa e de pães à população de rua. Segundo ela, depois de um grave problema de saúde, sua visão sobre o mundo mudou. “Temos uma noção muito limitada da vida, que é muito mais do que isso que vemos todos os dias. Ela é como um barco que abriga todo mundo, indo na mesma direção, com todos se ajudando”, afirma. “Tenho muito orgulho da minha filha por causa disso, por ela ter tomado esse caminho e por ser uma escolha que partiu dela”, afirma. 
