Blog Léo Quintino
| Dedicação recompensada |
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| Sáb, 23 de Agosto de 2008 17:08 |
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Eleitos pela comunidade enfrentam todos os dias casos de agressão e abuso de crianças. e contam com a sensação do dever cumprido para enfrentar revolta Eles têm formação acadêmica, perfis e estilos de vidas diferentes. Alguns são pais e mães, outros solteiros. Em comum, a dedicação ao trabalho voluntário e o convívio com as mais diversas realidades. Os conselheiros tutelares Maxieine Costa Guimarães, de 39 anos, e Frederic Alexis Lages, de 28, são personagens anônimos que desafiam uma triste lógica, recorrente não só em Belo Horizonte, mas em várias cidades do país, em cenários de negligência familiar, abandono e agressão. Suas histórias se encontram e se completam para um nobre objetivo: acabar com a violação aos direitos das crianças e dos adolescentes. O trabalho de Maxieine começou há um ano e meio, na Regional Pampulha, quando foi eleita para o cargo de três anos. Antes, era comerciante e cuidava dos negócios de sua loja. Ao mesmo tempo, gastava algumas horas do dia como voluntária em uma creche no Bairro Santa Terezinha, onde atua há 10 anos. A idéia de ser conselheira veio a partir da comunidade, que a incentivou a entrar num processo seletivo de oito etapas, entre provas, curso de capacitação e avaliação psicológica. “Quando a aplicação de medidas de proteção surte efeito e a violação cessa ou diminui, dá uma sensação enorme de dever cumprido. Esse é o nosso trabalho e está na legislação: somos zeladores dos direitos da criança e do adolescente.” O dia-a-dia é marcado por denúncias feitas por meio de escolas, por vizinhos, policiais militares, hospitais e toda a rede envolvida com o público-alvo das ações. Os profissionais se deparam no cotidiano com casos novos e antigos. Os atendimentos são registrados e, os documentos, guardados em pastas para a continuidade do acompanhamento, que se estende até a criança completar 18 anos ou a família se mudar de cidade – nesta situação, a responsabilidade é transferida para o concelho do outro município. Os familiares também são atendidos durante a aplicação das medidas de proteção, que incluem encaminhamento do jovem à rede pública de saúde, educação e assistência social. Se necessário, os parentes são indicados para grupos de combate à violência doméstica, programas sociais e, em casos extremos, até mesmo advertidos. Se as ações não surtem efeito ou a família não aceita, o grupo familiar é encaminhado à Promotoria e ao Juizado da Infância e da Juventude. O abrigamento é o último recurso. “Todo caso com negligência ou algo que abale, como violência sexual, nos faz querer trabalhar mais. Às vezes, a família da vítima não percebe que está violando o direito, outras vezes não está estruturada. Deve haver políticas públicas para sanar esse problema e elas ainda são insuficientes. Há grande necessidade de socialização do adolescente e do combate às drogas, pois eles estão se envolvendo com os entorpecentes cada vez mais cedo”, relata Maxieine. No apoio a vítimas de tantos dramas, o que mais a comove são o abandono e o abuso sexual. Esta semana, presenciou uma das situações que mais lhe chamou a atenção. Um bebê de apenas 11 meses foi encontrado por vizinhos engatinhando em direção ao Anel Rodoviário. A mãe saiu e deixou a porta do barraco às margens da rodovia, no Bairro São Francisco, entreaberta. Maxieine cuidou do garoto e o levou ao Hospital Infantil João Paulo II para ser atendido. Criança fora da escola, mães com dificuldade de marcar consulta médica ou conseguir remédio ou até mesmo uma segunda via de certidão de nascimento fazem parte da rotina de trabalho. “Somos seres humanos e, por isso, sentimos muito, mas sei que sempre aparecerão coisas ruins. O mais difícil é tratar do abuso, porque muitas vezes a criança é vítima mais de uma vez. E a medida de proteção é retirá-la de casa já que, na maioria das vezes, o abusador está próximo e é quem banca a família. Ela não percebe que está sendo abusada porque o agressor é muito sutil. Quando cresce e começa a entender, recebe ameaças. Se a mãe é incapaz de protegê-la, o estado ou a Justiça interfere e a afasta do lar. E essa é uma segunda forma de agressão.” Para superar a vivência de tantas dores – somente este ano, a unidade Pampulha abriu 400 casos novos –, os conselheiros riem, brincam e se divertem para quebrar a tensão. “Sabemos que, a qualquer momento, a PM chegará com uma criança”, afirma. À noite, se aconchega na boa estrutura familiar, no carinho dos filhos Deliene, de 16 anos, Délio Júnior, de 14, e do marido Délio. Evita falar dos problemas do trabalho e apenas se entusiasma com as conversas e os planos da filha, que vai fazer vestibular para engenharia aeroespacial na UFMG, no fim do ano. |



Eles têm formação acadêmica, perfis e estilos de vidas diferentes. Alguns são pais e mães, outros solteiros. Em comum, a dedicação ao trabalho voluntário e o convívio com as mais diversas realidades. Os conselheiros tutelares Maxieine Costa Guimarães, de 39 anos, e Frederic Alexis Lages, de 28, são personagens anônimos que desafiam uma triste lógica, recorrente não só em Belo Horizonte, mas em várias cidades do país, em cenários de negligência familiar, abandono e agressão. Suas histórias se encontram e se completam para um nobre objetivo: acabar com a violação aos direitos das crianças e dos adolescentes. 
