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Crianças, jovens e adultos protestam contra corrupção PDF Imprimir E-mail
Qua, 12 de Outubro de 2011 17:20

Brasília
A 2ª Marcha contra a Corrupção e a Impunidade tomou a Esplanada dos Ministérios hoje (12) em Brasília. Segundo a Polícia Militar, mais de 11 mil pessoas participaram do evento em defesa do fim do voto secreto no Poder Legislativo, da constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa e da manutenção das atribuições do Conselho Nacional de Justiça.

A caminhada teve a participação de pessoas de todas as idades, que a pé, de bicicleta e alguns até levando seu animal de estimação, se manifestavam, por meio de vassouras e faixas com frases contra a corrupção.

 

Carregando a bandeira do Brasil e um grande desenho de uma pizza, os manifestantes saíram da Praça da República e foram até a Praça dos Três Poderes, onde estão localizados o Palácio do Planalto, sede do Poder Executivo; o Supremo Tribunal Federal (STF), sede do Poder Judiciário; e o Congresso Nacional, sede do Poder Legislativo.

Segundo a idealizadora do evento, Lucianna Kalil, a ideia de ir às ruas contra a corrupção ganhou força, inicialmente, por meio de redes sociais na internet. “O povo se movimenta para tanta coisa, consegue se juntar para tomar cerveja, para ver uma partida de futebol, para fazer outros tipos de marchas. E por que não se juntar contra a corrupção que é um mal que afeta todo mundo, ricos e pobres?”, indagou.

De acordo com Luciana Kalil, o movimento é apartidário e o dinheiro necessário para a sua realização veio da venda de camisetas para organizar a marcha. “A primeira marcha, no dia 7 de setembro, tratou de um assunto bem genérico [defendido pelos manifestantes] e, hoje, a gente está focando o nosso apoio ao CNJ, à constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa e ao fim do voto secreto parlamentar”, disse. A entidade questiona uma resolução editada este ano pelo CNJ que regulamenta seu poder correicional. A AMB pede que o conselho só atue depois que o processo for esgotado nas corregedorias locais.

Além do Movimento contra a Corrupção Eleitoral, a marcha contou com o apoio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Essas organizações defendem que o CNJ seja mantido como órgão competente para examinar processos e punir magistrados.O STF vai analisar ação direta de inconstitucionalidade proposta pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB).

Outro tema ressaltado na marcha foi o envio de recursos para paraísos fiscais. Em meio aos manifestantes, cinco pessoas vestidas de piratas levavam faixas pedindo que sejam adotadas medidas para evitar o uso da artifícios para sonegar impostos. Edélcio Vigna, assessor do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), fantasiado de pirata, defende a criação de uma lei para acabar com o envio de dinheiro para os paraísos fiscais. “Tem que ter lei e fiscalização”, disse.

Belo Horizonte
Os manifestantes se concentraram na Praça da Liberdade antes se seguirem para Centro de BH
Cerca de 350 pessoas participaram de uma marcha contra a corrupção na tarde desta quarta-feira, feriado nacional de 12 de outubro, em Belo Horizonte. Jovens, adultos, idosos e muitas famílias se concentraram por volta das 14h, na Praça da Liberdade, Região Centro-Sul da capital, e depois seguiram em caminhada em direção à Praça Sete, no Centro.

Durante o trajeto, os manifestantes levaram faixa e cartazes e soltaram a voz por uma basta na corrupção no Brasil. Uma das faixas dizia: “STF, o Brasil exige punição de mensaleiros". Outra exigia a aplicação da Lei da Ficha Limpa nas eleições municipais de 2012. Um cartaz comparava o salário de professores, policiais militares e bombeiros com o de políticos. A passeata defendeu também a manutenção das funções do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Na Praça Sete, o grupo se juntou ao redor o monumento do Pirulito e cantaram o Hino Nacional. A movimentação foi pacífica e teve o acompanhamento da Polícia Militar.

BH se juntou a pelo menos quatro cidades do interior, como Uberlândia, no Triângulo mineiro, Divinópolis, no Centro Oeste, Juiz de Fora, na Zona da Mata e Lambari, no Sul, no movimento contra a corrupção.

No restante do país, a iniciativa também ganhou força. Em Brasília, cerca de 11 mil pessoas tomaram a Esplanada dos Ministérios e, no Rio, a orla da Praia de Copacabana, foi palco de manifestações contra a corrupção. Segundo a Polícia Militar, 2 mil pessoas aderiram ao protesto na capital carioca.

Interior de Minas
Os protestos contra a corrupção se alastraram pelo interior de Minas e hoje não só os belo-horizontinos vão às ruas manifestar a sua indignação. Pelo menos mais quatro cidades do estado – Uberlândia no Triângulo mineiro, Divinópolis, no Centro Oeste, Juiz de Fora, na Zona da Mata e Lambari, no Sul –, aderiram à mobilização nacional. A expectativa é de reunir 5 mil pessoas na capital, segundo um dos organizadores, Fernando Fassheber. A concentração está marcada para as 14h na Praça da Liberdade, de onde os manifestantes partirão com destino a Praça Sete.

Instrumentos musicais, apitos, megafones, nariz de palhaço, tintas verde e amarela, cartazes e faixas, vale tudo para protestar. Entre as principais reivindicações estão a aprovação da CPI da corrupção, o voto aberto no Congresso, tornar a corrupção crime hediondo, além da validade da Lei da Ficha Limpa para as eleições do ano que vem. Minas foi o estado recordista na coleta de assinaturas da campanha Ficha Limpa, com 162, 463 mil adesões, mais de 1% do eleitorado.

O Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) em Minas, que também está apoiando a manifestação, vai aproveitar o dia para fortalecer a campanha de coleta de assinaturas pela reforma política popular. O coordenador do MCCE no estado, Anivaldo Matias de Souza, destacou que a proposta que será apresentada à Câmara dos Deputados, vai aumentar a participação dos cidadãos nas decisões do Congresso. “De acordo com a proposta, será obrigatória a convocação de plebiscito quando estiverem em pauta projetos de mudança na Constituição e em leis de iniciativa popular ou aumento dos salários e benefícios dos parlamentares, ministros de Estado, presidente da República e dos ministros do Supremo Tribunal Federal”, destacou Anivaldo.

Na rede Há pelo menos um mês entidades e pessoas da sociedade civil estão organizando, pela internet, a segunda Marcha contra a Corrupção. Ela contará com eventos em 25 cidades de 17 estados, além do Distrito Federal. Os organizadores dizem não ter expectativa sobre o número de pessoas que podem comparecer aos atos – boa parte deles simultâneos –, mas esperam superar a barreira dos 25 mil manifestantes, que foram às ruas no Sete de Setembro. Entre as principais entidades que participaram da organização das manifestações estão a Ordem dos Advogados do Brasil, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral. A marcha contra a corrupção é apartidária e os organizadores não querem que o movimento seja instrumentalizado por qualquer força política. A terceira marcha já está marcada para 15 de novembro.

São Paulo
Centenas de pessoas ocuparam no início da tarde desta quarta-feira (12) parte do vão do Museu de Arte Contemporânea de São Paulo (Masp) em uma manifestação contra a corrupção. Com faixas, cartazes e apitos, eles pediam, principalmente, a aplicação da Lei da Ficha Limpa nas eleições de 2012, e o voto aberto em todas as votações do Congresso Nacional.

O ato, segundo a Polícia Militar, reuniu cerca de mil pessoas, interrompeu o tráfego em quatro das oito faixas da Avenida Paulista. A maioria das faixas e cartazes levados pelos manifestantes trazia frases como: %u201CCorrupção é crime%u201D, %u201CAté quando você não vai fazer nada?%u201D e %u201CMensaleiro na cadeia%u201D.

%u201CViemos para mostrar que não estamos totalmente passivos em relação a tudo o que acontece no país. Temos que começar a fazer alguma coisa%u201D, disse a estudante Carolina Diniz, que estava acompanhada de duas. Elas ficaram sabendo da manifestação pelo Facebook.

Bruno Benfica, analista de sistema %u2013 que também soube do protesto pela rede social %u2013 disse apoiar a manifestação, mas criticou a %u201Csuperficialidade%u201D do ato. Segundo ele, faltava à manifestação fatos concretos contra o que protestar. %u201CEstá se cobrando contra a corrupção, mas ninguém sabe do que que se está falando exatamente. Político corrupto virou uma generalização, mas o pessoal não se interessa por política efetivamente. Falta a juventude se aprofundar um pouco mais para saber exatamente o que está acontecendo%u201D, disse.

 

Última atualização em Sex, 14 de Outubro de 2011 22:03