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PBH eleva rigor para aprovação na rede municipal PDF Imprimir E-mail
Qua, 20 de Maio de 2009 09:41
Mais rigor na aprovação dos alunos da rede municipal de ensino de Belo Horizonte. A partir deste ano, os estudantes precisarão de um desempenho bem melhor para passar de um ciclo ao outro e para ter um bom conceito no boletim.
 
No fim deste mês, os pais receberão os primeiros resultados obtidos pelos filhos em 2009, referentes ao primeiro trimestre, já com os novos parâmetros. 

A principal mudança é na porcentagem mínima de rendimento exigida para a mudança de ciclo. Em 2008, quando o boletim voltou a fazer parte da rotina dos estabelecimentos de ensino de BH, o aluno seria aprovado se tivesse entre 40% e 59% de aproveitamento. Agora, será necessário um índice de 50% a 65%. 

Os outros conceitos também foram alterados. Para tirar nota A, o rendimento escolar deverá ficar entre 86% e 100%. Se tiver desempenho entre 66% e 85%, o aluno receberá B; de 30% a 49%, um D, e abaixo de 30%, conceito E.
 
As alterações ocorreram a pedido dos professores e das equipes pedagógicas das escolas, que consideravam muito baixas as margens adotadas ano passado (A: 80% a 100%; B: 60% a 79%; D: 20% a 39%; E: 0% a 19% ). 

Diretora da Escola Municipal Sebastiana Novais, no Bairro Tupi, na Região Norte de BH, Roseli Mariles afirma que a modificação é vista como um avanço no processo de avaliação dos estudantes. “O corpo docente não concordava com a porcentagem adotada e essa mudança foi importante. Apenas 40% é muito pouco para um aluno ser aprovado. O ideal seriam 60%, mas a nova proposta é bem melhor que a anterior. Aumentando a média, o menino vai mais bem preparado para a etapa seguinte”, diz. 

Para Roseli, essa é a primeira conquista de um desejo antigo de pais e professores: ter de volta a retenção anual. Hoje, a repetência só ocorre no fim do ano se o aluno deixar de frequentar pelo menos 75% das horas letivas. 

Por causa de nota insuficiente, “bomba” só mesmo na mudança de cada ciclo (um conjunto de três séries), com conceitos D ou E. “A rede trabalha com esse sistema porque a prefeitura e alguns pedagogos defendem um ciclo de aprendizagem. Consideram que aos 6, 7 e 8 anos, por exemplo, as crianças estão desenvolvendo uma etapa de alfabetização, leitura e escrita”, afirma a diretora. 

Adaptação
Se mantiver o ritmo de estudos, a pequena Rafaela Ferreira, de 8 anos, aluna da segunda série do ensino fundamental, não terá problemas em concluir a alfabetização. Ano passado, ela tirou A em todas as matérias e espera obter o mesmo conceito nos próximos trimestres. 

Sua colega Vitória Áquila Miguel Generoso, da mesma idade, precisou se acostumar com o modelo de avaliação adotado na Escola Sebastiana Novais e aguarda com ansiedade a entrega do boletim. “Estudava em uma escola em que as notas eram números e eu tirava quase total em tudo. Agora, espero ficar com A nas matérias”, diz. 

A gerente de Funcionamento Escolar da Secretaria Municipal de Educação, Inês Maria de Melo Dolabela, ressalta que o boletim voltou à cena para padronizar os instrumentos de registro da rede municipal e para facilitar o entendimento dos pais, por meio de números, sobre o desempenho dos filhos. 

Quanto à média exigida para a aprovação, que é inferior àquela adotada pela maioria das escolas (60%), Inês afirma que essa é uma decisão regimental e pode variar de uma instituição para outra. “A porcentagem não desqualifica o processo de aprendizagem, é só uma forma de registro. Não significa que o aluno aprendeu mais ou menos, pois isso depende também da proposta pedagógica. Não avaliamos só as áreas de conhecimento. Nos componentes curriculares, consideramos ainda atitudes e valores e uma formação plena dos alunos”, relata. 

Reforço 
Entre as apostas para garantir que os estudantes alcancem bons conceitos e efetivamente aprendam ao passar de um ano para outro estão a monitoria do ensino e o reforço escolar, propostos para acabar com as notas baixas. No primeiro programa, uma equipe da Secretaria de Educação se encarrega de fazer o acompanhamento da gestão pedagógica dos projetos e a orientação dos professores. Cada monitor supervisiona três escolas e, entre outras atribuições, é responsável também por localizar os alunos com baixa aprendizagem e encaminhá-los para o reforço. 

Nessa intervenção, os estudantes são atendidos em pequenos grupos para trabalhar a defasagem de aprendizado e estudam no horário livre ou no próprio turno. De acordo com a secretaria, até o momento, 14.850 jovens estão sendo beneficiados pelo projeto, com aulas de português e matemática. A expectativa é de que esses números aumentem nos próximos meses. No total, 495 professores foram destacados para o reforço escolar.