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Rede de vizinhos reduz criminalidade PDF Imprimir E-mail
Seg, 05 de Abril de 2010 17:39

Solidariedade entre moradores. Esta é a mola-mestra que impulsiona o projeto Rede de Vizinhos Protegidos, sistema de prevenção contra a criminalidade criado pela 9ª Companhia Especial do 34º Batalhão, responsável pela Região Noroeste de Belo Horizonte.

Implantado há mais de cinco anos, no Bairro Caiçara, o projeto, atualmente, abrange mais de 7 mil pessoas moradoras na área da 9ª Cia Esp e tem como suporte a participação comunitária.

O objetivo do projeto é formar uma rede de vizinhos, que se ajudam mutuamente. No sistema, os moradores são uma espécie de câmeras vivas, ou seja, orientados pela Polícia Militar, adotam estratégias para se proteger. “A proposta da PM é fazer com que a população utilize táticas pró-ativas para tirar a oportunidade da ação do criminoso”, observa o Comandante da 9ª Cia Esp, Major André Leão.

 

“O modelo sensibiliza as pessoas a ingressarem na Rede de Vizinhos Protegidos, criando a Rede de Verificação e de Vigilância Mútua”, explica o Oficial. As pessoas se organizam com o objetivo de coibir as ações dos criminosos, repassando informações de qualquer atitude suspeita, imediatamente para a PM, por meio de celulares, que ficam com coordenadores de turnos de serviços, no sistema 24h, pelo 190 ou pelo Disque-Denúncia 181.

 

COMPOSIÇÃO
A Rede de Vizinhos é composta por moradores de um determinado bairro, em grupos de residências circunvizinhas. No Caiçara, o projeto foi adotado também por comerciantes com a mesma filosofia. Como é entrelaçada, uma residência pode pertencer a dois grupos, ou seja cada laço comporta cinco imóveis. No caso de prédios, o laço aborda todo o bloco.
Para que o Rede de Vizinhos obtenha êxito é necessário que cada vizinho conheça os hábitos e mantenha contatos com quem mora ao lado, sabendo a hora que a pessoa sai e volta para casa. É importante que todos os componentes da família e até empregados sejam envolvidos no sistema.

Nas reuniões com a PM, os moradores são  orientados sobre as medidas de segurança que devem tomar cotidianamente. Devido aos bons resultados conseguidos em Belo Horizonte, o Rede de Vizinhos Protegidos está sendo experimentado em outras cidades do Estado e até em outros Estados, como Roraima e Santa Catarina.

DESCONHECIDOS
Pesquisas apontam que pessoas participantes do Rede de Vizinhos, em sua grande maioria, não se conheciam e que, durante boa parte do dia, as ruas estavam sempre desertas. Baseando-se em dados estatísticos, segundo os quais uma grande parte dos crimes era praticada depois que as pessoas saíam para trabalhar, foram feitas reuniões com a finalidade de mudar os hábitos dos moradores. A medida surtiu efeito em pouco tempo.
“As ações da Polícia Militar sempre dão melhores resultados quando contam com a participação da comunidade”, observa o Major. Ele explica que, ao se tornar parceiros, os vizinhos transformam-se em câmeras vivas, adotam estratégias de prevenção e repassam informações para a PM. O Oficial enfatiza que qualquer bairro ou rua pode implementar o Rede de Vizinhos Protegidos.

COMO CRIAR A REDE
- Sensibilizar as pessoas, conforme Artigo 144 da Constituição Federal, que diz: "Segurança pública é dever do Estado e direito e responsabilidade de todos". A comunidade deve participar das cobranças e do planejamento das ações relativas à segurança. Requer interesse, engajamento e comprometimento das pessoas.

- Ingressar na Rede: conjunto de moradores reunidos em grupos de até cinco residências circunvizinhas. Como a Rede é entrelaçada, uma residência pode pertencer a dois grupos. O principal objetivo de cada laço é a integração de todos os componentes. Para tanto, é necessário conhecer o vizinho, seus contatos e até hábitos. Bem estruturada, a Rede proporciona condições mais adequadas para a discussão de problemas complexos, facilitando a tomada de decisões. Após a formação do laço, afixar a placa Residência Monitorada pela PM.

- Criar a Rede de Verificação: cadeia de contatos de uma residência para a outra. Os integrantes da Rede estabelecem a forma de atuação, considerando horário,  senha e outros fatores relevantes para os moradores. Pode ser feita através de telefone e outras formas de comunicação.

- Criar a Rede de Vigilância Mútua: processo de observação do movimento nas imediações da residência vigiada, para detectar a presença de pessoas ou veículos estranhos ou em atitude suspeita. Funcionar como câmera viva - o sinal de perigo é dado através de som (apito, por exemplo) ou  códigos combinados. Em caso de invasão ou flagrante criminoso, os moradores fazem um barulhaço, mobilizando toda a Rede de Vizinhos Protegidos.

- Providenciar a melhora da iluminação da rua. Pode ser feito com a instalação de um holofote em pontos estratégicos. A lâmpada pode ser acesa pelo sistema de fotocélula ou outro mecanismo.

MAIS REDUÇÃO
O bom resultado do Rede de Vizinhos Protegidos pode ser medido com a redução significativa de aproximadamente 64% em algumas modalidades criminosas, em zonas consideradas perigosas dos 14 bairros da 9ª Cia Esp, onde o projeto foi implantado.
“O mais importante desse tipo de trabalho é que os moradores atuam em parceria com a Polícia Militar”, observa o Major Leão. Ele ressalta que, em Minas, muitos bairros já adotaram o Rede de Vizinhos.

Entre os crimes que apresentaram redução constam assalto à mão armada a transeuntes,  estabelecimentos comerciais, prédios e residências; arrombamento de veículos e furtos.

Moradores dos bairros Caiçara, Alto Caiçara, Adelaide, Padre Eustáquio, Carlos Prates, João Pinheiro, Dom Cabral, Coração Eucarístico, Minas Brasil, Pedro II e Vila Oeste, sob a jurisdição da 9ª Cia Esp; e os conjuntos Alípio de Melo, Celso Machado e Califórnia, além do Bairro Castelo, responsabilidade da 8ª Cia Esp, participam do projeto.

Contatos: 3411-3575 e 3411-5877 (Major André Leão ou Tenente Marcone).

Última atualização em Seg, 05 de Abril de 2010 17:56