Home » Notícias » Emprego » Na madrugada pelo seguro-desemprego
 
Na madrugada pelo seguro-desemprego PDF Imprimir E-mail
Qua, 14 de Janeiro de 2009 13:18

Procura pelo benefício em BH disparou 57% desde o estouro da crise, em setembro.

Filas enormes criadas já na madrugada no Ministério do Trabalho, na Região Central da capital mineira: são 550 requerimentos do benefício apresentados todo dia por desempregados da Grande BH
Às 5h30 de ontem, a auxiliar de cozinha Maria Aparecida Ismerina da Silva já enfrentava a fila para atendimento ao seguro- desemprego na agência do Ministério do Trabalho no Centro de Belo Horizonte.

Foram seis horas de espera até que ela conseguisse chegar ao balcão, depois que 227 pessoas haviam sido atendidas apenas das 7h às 11h30. A procura pelo benefício cresceu 57% depois do estouro da crise financeira mundial, em setembro, ocupando toda a estrutura do setor responsável. São 550 requerimentos apresentados todo dia por desempregados da Grande BH, ante um ritmo de 350 cadastramentos por dia até outubro. 

A estimativa é do próprio ministério, que informou ontem estar trabalhando com toda a capacidade disponível no edifício na Rua Tamoios, num dos quarteirões mais movimentados da Região Central da cidade. Segundo o superintendente regional do Trabalho e Emprego em Minas Gerais, Alysson Paixão de Oliveira Alves, o aumento da procura pelo seguro-desemprego alcançou cerca de 30% em todo o estado entre outubro e novembro de 2008. 

O movimento atípico leva o próprio ministério a admitir que, depois de encerrada a distribuição de senhas, 150 pessoas voltam sem atendimento
O levantamento do volume de requerimentos no estado ainda está sendo atualizado. Em novembro, eles somaram 3.432 pedidos por dia nas 66 unidades do ministério em Minas. “No momento, não temos estrutura para atender esse pico da procura, que esperamos retornar logo à normalidade”, disse Alysson Alves. A procura pelo benefício envolve trabalhadores não só das indústrias, que têm sido mais afetados pela turbulência econômica, mas do comércio e das empresas prestadoras de serviços. 

 Maria da Silva chegou às 5h30 e só foi atendida seis horas depois
Só em fevereiro, a superintendência de Minas do Ministério do Trabalho terá um reforço de pessoal, numa etapa inicial de ingresso dos 252 novos concursados da pasta. Ainda assim, a estrutura do antigo prédio no Centro de BH não comporta novas adaptações para melhorar o atendimento. O espaço só vai crescer no fim deste ano, com a transferência do serviço para o prédio da antiga Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG, na Rua Curitiba, na esquina de Tamoios, cedido pela União à superintendência de Minas. A reforma das instalações começa ainda neste primeiro semestre, informou Alves. 

Na sala lotada do serviço de atendimento ao seguro-desemprego, Maria Aparecida reclama da demora na fila, que obriga os trabalhadores a se acomodarem como podem, pelas escadas. “É um absurdo. Além de perder o emprego, temos de enfrentar toda essa dificuldade para receber o seguro”, diz. As demissões no comércio da Grande BH atingiram 2 mil pessoas a mais em 2008, na comparação com 2007, conforme estimativa do Sindicato dos Comerciários de BH e Região. 

“Não há sentido em demissões tão imediatas, já que o comércio está na ponta da cadeia de produção e venda de mercadorias. Com certeza, as empresas se aproveitam da crise para fazer ajustes internos de pessoal, quando deveriam investir mais em promoções e nas compras facilitadas”, afirma Alves. Em 2008, 46,3% de todos os trabalhadores na região metropolitana da capital mineira estavam contratados com a carteira assinada no setor privado, informa o economista Mário Rodarte, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Ele pondera que o aumento da procura pelo seguro-desemprego é também reflexo da cobertura maior do benefício numa economia mais formalizada. 

Rodarte não acredita que o crescimento do número de pedidos do seguro seja um sinal suficiente de que os efeitos da crise financeira possam ser mais fortes este ano. “Só em março teremos uma visão mais clara do impacto da turbulência na economia. Talvez o horizonte não seja tão cinza como analistas avaliavam no fim de 2008”, diz. 

Fonte: EM