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Injustiça social e falta de políticas públicas PDF Imprimir E-mail
Sáb, 12 de Junho de 2010 09:57

Todo ano é a mesma coisa. As chuvas chegam como devem chegar, mas deixam rastro de destruição que vai além de sua real dimensão.

Para muitos, trata-se de fenômeno marcado pelas mudanças climáticas, que, a cada ano, tornam ainda mais difícil a convivência com as forças da natureza.

Há os que culpam as vítimas, como se elas escolhessem livremente morar em encostas, favelas e áreas de risco. Muitos acusam os políticos e administradores por práticas que se alimentam de um misto de corrupção e incompetência.

O caos das cidades vai além. Em outros setores, nos quais a influência do clima é ausente, a situação evidencia os mesmos índices: saúde, educação, transporte, habitação, mobilidade, segurança. Em cada um desses campos há histórias trágicas que, em seu conjunto, revelam a mesma lógica da má distribuição. Assim como a renda no Brasil é concentrada, as catástrofes de toda sorte também o são. Só que com sinal trocado.

O ufanismo que tomou conta da nação não esconde a dura verdade do risco iminente sobre o qual está armada boa parte da vida das grandes e médias cidades. Muito precisa ser feito, de ações concretas e emergenciais a mudanças de natureza cultural. Com violência não se faz segurança. Sem planejamento não se cresce sem riscos de colapso. Com corrupção e descontrole, as medidas de natureza universal se perdem em ações particularistas que alimentam o ralo da desigualdade.

A escolha do Brasil para sediar grandes eventos esportivos é signo da importância da nação, não endosso dos descaminhos que nos definem. Não basta preparar o país para a Copa de 2014 ou as Olimpíadas de 2016. Nossa dívida não é com os futuros visitantes. Merecemos um país melhor – e agora – para todos os brasileiros.

 

Última atualização em Sáb, 12 de Junho de 2010 10:08