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Faltam emprego e renda PDF Imprimir E-mail
Ter, 25 de Novembro de 2008 07:18

Bonito de Minas – A falta de mão-de-obra e as más condições de habitação estão entre os fatores que mais contribuíram para a inclusão de Bonito de Minas, de 8,8 mil habitantes, a 603 quilômetros de Belo Horizonte, entre os municípios mais pobres do estado, de acordo com o Índice de Desenvolvimento Familiar (IDF). Na cidade, há 1,2 mil beneficiários do Programa Bolsa-Família, 80% deles moradores da zona rural. Fora a ajuda do programa, essas pessoas só retiram alguma renda de lavouras de monocultura, atividade prejudicada pela baixa fertilidade do solo. Para complicar, a maioria vive em locais isolados servidos por péssimas estradas, o que dificulta o deslocamento até a sede do município, onde fica o posto de saúde. 

O prefeito José Raimundo Viana (PR) afirma que o município conta com dois médicos, mas diz não ser fácil mantê-los. “Para ter um médico aqui, temos que oferecer um salário mais alto que outros municípios, acima de R$ 10 mil por mês. Mesmo assim, todo médico que a gente contrata fica no máximo um ano e depois vai embora”, diz. Ele também reclama da grande extensão territorial do município (3,9 mil quilômetros quadrados), o que dificulta o atendimento aos moradores da zona rural. “Temos localidades com até 170 quilômetros de distância da sede”, salienta.

Um dos itens que contribuíram para o baixo IDF de Bonito de Minas é o acesso ao trabalho, de 0,07. “Como as terras são pouco produtivas, as pessoas não têm como plantar. Então, o dinheiro que circula no município é de aposentados e do Bolsa-Família. Fora isso, tudo depende da prefeitura”, afirma José Raimundo.

O Estado de Minas percorreu a zona rural da cidade, onde constatou extensas áreas inexploradas. As más condições das habilitações (0,46) também pesam no baixo IDF do município. A dura realidade é constatada na comunidade de Croá, a 52 quilômetros da sede. Ali, vivem 10 famílias, todas dependentes do Bolsa-Família, e que continuam morando em casas cobertas de palha. Uma delas é Roberta Teixeira dos Santos, de 41 anos, mãe de sete filhos – na casa são 11 pessoas, incluindo dois netos. “Se Deus quiser, vou trocar a cobertura de palha por um telhado”, diz Roberta, lamentando que o dinheiro do benefício só dê para a comida.

Assim como Roberta, muitos moradores da zona rural sonham em melhorar as condições das moradias. Não conseguem porque, além da falta de dinheiro para comprar telhas, falta também para pagar o frete da cidade até os lugares onde moram. A prefeitura tenta amenizar a situação pondo um caminhão à disposição da população para fazer gratuitamente o transporte das telhas até locais isolados do município.

Fonte: EM

Última atualização em Qui, 27 de Novembro de 2008 08:13