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Mosquitos por toda parte PDF Imprimir E-mail
Qui, 22 de Janeiro de 2009 08:31

Levantamento mostra índice de infestação considerado de alto risco de epidemia na capital, cidades da Grande BH e interior do estado
Bianca Melo
 
Quatro regiões de Belo Horizonte estão com índice de infestação do mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti, na faixa considerada risco de epidemia pelo Ministério da Saúde (veja arte). Na Pampulha, Venda Nova, Norte e na Leste o indicador passou dos perigosos 4%. Das nove regionais de BH, apenas uma, o Barreiro, está com índice abaixo de 3,5%, o que indica situação de alerta, conforme definiu ontem o secretário Municipal de Saúde, Marcelo Teixeira. O Estado de Minas foi a Venda Nova e à Região Leste, onde o Levantamento de Índice Rápido do Aedes aegypti (Liraa) apontou para as mais altas infestações, e encontrou lixo, entulhos, pneus mal acondicionados e lotes vagos sujos e convidativos para o mosquito. BH está com índice de 3,9% de infestação, praticamente em cima da faixa positiva para epidemia.

No Bairro Jardim Europa, na Região de Venda Nova, o motorista aposentado Custódio Thomé de Lima, de 68 anos, se revolta ao fazer uma vistoria no lote abandonado ao lado da sua casa. Um sofá velho guarda muito mato e um copo descartável cheio de água das últimas chuvas. Em outro pedaço de plástico, uma água escura com larvas que ele não soube identificar. “O pessoal da prefeitura vem à casa da gente, nos pede para tirar vasos das plantas e recolher garrafas, mas sei que não adianta nada se aqui continuar assim.” Nas imediações de sua casa há ainda muitos quintais grandes e lotes sem ocupação.

Como Venda Nova é a campeã em focos do mosquito (5,7% das casas), os mutirões emergenciais da prefeitura começam por lá no dia 26. A promessa é que cada propriedade seja visitada duas vezes até abril. O plano rápido inclui limpeza de córregos, ação já iniciada por ordem de prioridades.

As notícias sobre uma nova onda de possíveis casos de dengue chegaram à casa da aposentada Maria das Dores Rodrigues, de 76 anos, moradora do Bairro Boa Vista, na Região Leste, e a deixaram apreensiva. “Antigamente, meus filhos brincavam em uma caixa-d’água cheia e não tinha problema nenhum, mas agora somos obrigados a tirar a água de qualquer vasilha.”

VESPASIANO Em Vespasiano, onde o indicador é de 7,7%, os flagrantes de água parada também são comuns. O índice é o mais alto desde o início de 2006, quando o Liraa começou a ser feito lá. Dois bairros da cidade, Clínica Serra Verde e Condomínio dos Militares, alcançaram impressionantes índices de infestação de 50%, o que significa que metade das casas tinha larvas do Aedes aegypti. “Estamos em um momento preocupante, pedindo ajuda para quem puder nos auxiliar e, considerando o grande fluxo migratório na região, o problema ultrapassa o limite da cidade”, disse a secretária Municipal de Saúde, Hérica Soraya Albano Teixeira. No ano passado, 407 casos foram confirmados e, neste ano, dois estão sob investigação.

Ela diz estar com poucas condições para atacar o problema. “Tivemos que alugar até Kombis para levar os agentes porque muitos dos nossos carros estavam estragados.” A prefeitura aguarda resposta de mais recursos pedidos ao estado e à União. Enquanto isso, encaminhou ofício às faculdades e às empresas para ajudarem na mobilização, divulgação e até com recursos. Os 65 funcionários municipais do combate à dengue terão ajuda de 60 agentes comunitários de saúde. Ela atribui o número alto de infestação às más condições higiênicas da cidade. “Infelizmente, Vespasiano está muito suja e rápido assim a gente não consegue fazer a limpeza. Tem que ter ajuda da população”, afirma Hérica, que é médica sanitarista.

A dois quarteirões da prefeitura, na Avenida Prefeito Sebastião Fernandes, no Centro, uma borracharia expõe mais de 100 pneus ao tempo e móveis velhos acumulando água. Da janela da Secretaria de Saúde, um depósito municipal de carros apreendidos concentra um foco identificado no Liraa. “Imagine que até a gente estava correndo risco”, comenta a secretária. Os mutirões de limpeza, iniciados há três dias, já resultaram no recolhimento de 1 tonelada de lixo residencial.

Fonte: EM