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Risco de dengue cresce quatro vezes em BH PDF Imprimir E-mail
Sáb, 05 de Fevereiro de 2011 11:46

Mesmo com a guerra declarada, programas de bônus, propagandas apelativas, a dengue furou o cerco em Belo Horizonte e tem atacado, sem dó, bairros nobres da capital. O primeiro Levantamento do Índice Rápido do Aedes aegypti (Liraa) de 2011 mostra que o número de focos do mosquito cresceu quatro vezes.

A cidade tem Liraa de 3,8% – a cada 100 imóveis, 3,8 apresentaram rastros da dengue. O último levantamento feito em outubro indicou Liraa de 0,9%. O índice de quase 4% é considerado pelo Ministério da Saúde risco médio para epidemia e é um alerta para autoridades de saúde da capital.

Em 152 bairros de BH, a condição é ainda pior: o Liraa nesses locais está com alto risco de epidemia, (acima de 4%), entre eles, os bairros Funcionários, na Região Centro-Sul, com 5,05%, e Cidade Nova, com 4,96%. Além disso, a capital tem 329 bairros com risco médio, acima do 1% que o considerado satisfatório pelo governo federal.

 

Ainda que esteja abaixo dos números de janeiro de 2010, quando o índice era de 4,2%, o levantamento consolidado de 2011 é um dos cinco maiores dos últimos 13 anos na cidade. Segundo o secretário municipal de Saúde, Marcelo Teixeira, há quatro meses, o clima era outro, o que justifica a baixa nos casos. “Historicamente, o pico da doença é de janeiro a abril”, diz, acrescentando que a Secretaria Municipal de Saúde já ligou seu alerta. “Até o momento, temos 36 pessoas contaminadas e 697 com suspeita de terem sido infectadas. Vamos investir R$ 25 milhões este ano no combate à doença”, afirma.

A Região de Venda Nova registrou o maior índice de infestação, 5,1%, seguida pelas regiões Norte e Noroeste, com 4,6%, cada. Para amenizar o problema no município, Teixeira anunciou novas medidas a serem tomadas. Uma delas é premiar, por meio de um programa de rádio, cidadãos que estiverem com a casa sem potencial para o mosquito. “Fechamos uma parceria com o Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Minas Gerais para que seus profissionais se transformem em aliados no combate a residências fechadas, que aguardam para serem alugadas ou vendidas”, diz o secretário.

Segundo ele, são 24 mil imóveis fechados na capital, sendo que, em 2010, 45 foram multados em até R$ 7 mil. Em 51% deles agentes encontraram focos do mosquito. “Em março, faremos pela primeira vez a bonificação aos agentes de campo que conseguirem reduzir o Liraa de regiões com alto índice. A equipe que alcançar a meta, recebe até o 14º salário”, garante. Campanhas e mutirões têm sido feitos incansavelmente, mas de nada vai adiantar se a população não fizer sua parte. Estar atento em casa, com vasos e pratos de plantas, pneus velhos e outros objetos que possam acumular água é ato simples e que merece atenção.

No Brasil
O segundo caso de dengue tipo 4 no Amazonas foi confirmado ontem pelo Ministério da Saúde. A vítima é um bebê. A primeira pessoa com a dengue tipo 4 naquele estado foi um adolescente, diagnosticado no mês passado. Os dois pacientes estavam internados em Manaus, já receberam alta e passam bem.

Segundo o ministério, os casos confirmados no Amazonas não têm vínculo com o surto da doença em Roraima, onde 18 pessoas foram infectadas desde o ano passado. O Pará também registrou um caso de dengue 4 este ano – esse é um novo vírus em circulação no Brasil, que vem se somar aos outros três tipos. Até 28 de janeiro, foram 26.034 notificações de dengue clássica no país.

Na sexta-feira 03 de fevereiro, o ministério anunciou que vai reforçar a estratégia de comunicação para o enfrentamento da dengue. Mensagens de texto com orientações para combater a doença serão enviadas para todos os celulares de pessoas residentes em 36 municípios de 11 estados. Em Minas, cinco cidades vão receber os torpedos: Caetanópolis, Sete Lagoas, Pompéu e Santa Cruz de Minas, na Região Central; e Governador Valadares, na Região do Rio Doce.

Última atualização em Sáb, 05 de Fevereiro de 2011 11:59