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Vítimas da cheia do Arrudas recebem doações e ajuda para limpeza de casas e remoção do entulho carregado pelas águas. Servidores trabalham para liberar ruas e tampar buracos
A construção de barragens de contenção, ou piscinões, em córregos que deságuam no Ribeirão Arrudas, a transferência de moradores de áreas de risco para prédios e a liberação de dinheiro para quem perdeu tudo na enchente de quinta-feira são promessas aguardadas com ansiedade pelos moradores de bairros da Região Oeste de Belo Horizonte e do Barreiro, castigados pelo último temporal. De concreto, eles receberam ontem a solidariedade pelas mãos anônimas de pessoas que levaram doações ou auxiliaram na limpeza das casas e na retirada do que sobrou. O líder comunitário Jair Diniz Pereira, do Barreiro, avalia que é preciso rever a canalização do Arrudas na Avenida Tereza Cristina. “Há partes afuniladas e não adianta mexer só nos córregos acima”, afirma.
Dois dias depois da cheia do ribeirão, funcionários da prefeitura trabalhavam em vários locais, retirando a lama das ruas. Hoje, deve ser iniciado o recapeamento da Avenida Tereza Cristina, no Bairro Tirol, onde a força das águas abriu várias crateras. Algumas, como na esquina da via com a Rua Cabo Valério dos Santos, são tão grandes que impedem a passagem de carros. Na lembrança do sapateiro Paulo Roberto Freitas está fresca a cena de veículos rodando na enxurrada com facilidade impressionante. Ele e o colega Leri Cesário de Araújo vão abandonar a sapataria no centro comercial do Conjunto João Paulo II, que foi totalmente inundada. “Os motores das máquinas e os sapatos de muita gente que estavam por aí se molharam e não servem mais”, afirmou Paulo Roberto.
Entre as medidas prometidas pelo governador Aécio Neves e pelo prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, estão a isenção de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), a extensão do prazo para pagar contas de água e luz, a implantação de um sistema de alarme contra inundação em toda a bacia do Arrudas e a compra de um radar meteorológico. Pela proposta inicial, mais de 1 mil famílias seriam transferidas das áreas de risco, onde serão feitas obras de recuperação de leitos de córregos e do próprio Arrudas.
Boa parte das cerca de 40 famílias da Vila dos Carroceiros, no Bairro Tirol, esperam entrar na lista dos contemplados em programa de reassentamento. Eles vivem às margens do Arrudas e nenhuma moradia escapou das enchentes. A dona-de-casa Sirleide Alves Pereira, de 34 anos, e os outros sete moradores de uma casa, incluindo três crianças, fugiram para não morrer durante o temporal. Não sobrou nada, mas, como eles não têm para onde ir, dormiram lá, em colchões doados pela prefeitura. “A gente não sabe direito o que fazer, mas não adianta liberar o fundo de garantia, porque ninguém aqui trabalha com carteira assinada.”
INTERIOR Um temporal na manhã de sexta-feira deixou 81 famílias desalojadas no Serro, a 326 quilômetros de BH, no Vale do Jequitinhonha. Segundo a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil, parte da cidade ficou inundada. No mesmo dia, as águas do Córrego do Pau Pintado transbordaram em Santa Efigênia de Minas (Vale do Rio Doce), cidade de menos de 5 mil habitantes. Seis pontes foram interditadas e 70 pessoas tiveram de deixar suas casas. Desde o início do período chuvoso, já são 86.961 registros de desabrigados, 102 municípios em situação de emergência e 27 mortes confirmadas no estado. |