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Montes de sujeira espalhados por BH PDF Imprimir E-mail
Sáb, 21 de Agosto de 2010 09:34

A falta de consciência de quem desrespeita o Código de Posturas de Belo Horizonte e joga lixo em locais proibidos aliada à precariedade da fiscalização espalhou pela capital 600 pontos de bota-foras. Apesar do tamanho do problema, a prefeitura conta com apenas 100 agentes para coibir a destinação ilegal de entulho.

Diante disso, vários pontos da cidade, como trechos às margens do Anel Rodoviário, transformaram-se em verdadeiros depósitos a céu aberto de restos da construção civil, materiais recicláveis e orgânicos, móveis e até animais mortos.

Em alguns trechos, como na altura do Bairro Padre Eustáquio (Região Noroeste), a sujeira obriga pedestres a andar pelo asfalto. Do outro lado da rodovia, no Bairro São José (Região Noroeste), o movimento dos veículos espalha ainda mais o lixo.
As pilhas de sujeira proliferam e transformam-se em um péssimo cartão de visitas para quem chega à cidade pelo Anel. Para o professor Eduardo Luiz Silva Dias, de 31 anos, que há duas semanas trafega pela via de bicicleta, a situação causa insegurança, porque as pessoas precisam dividir o espaço da via marginal com os carros. “É um absurdo. A administração municipal deveria fazer algo para impedir os bota-foras, que representam sujeira e poluição visual.

A impressão que se tem é de que a cidade está mal cuidada. Essa é uma questão de saúde pública. Acho que a revitalização do passeio Nas margens da pista poderia ser um fator de inibição. Por outro lado, é preciso que as pessoas entendam que suas ações prejudicam a todos”, afirma.

Davidson Ribeiro dos Santos, de 24, mora no Bairro São José há quatro anos e diz que a área sempre foi alvo de depósitos clandestinos. “Isso acaba levanto ratos e insetos para nossas casas. Tenho medo de que cause problemas de saúde em meus filhos.” Para o estudante Willian Augusto Teixeira, de 19, a administração deve tomar providências urgentes para resolver a questão. “Deveria haver uma fiscalização mais rigorosa”, critica.

ABUSO O mesmo cenário é encontrado em frente ao número 4.560 do Anel Rodoviário, no Bairro Bonsucesso (Região do Barreiro). O encarregado de manutenção Roberto Camargos, de 48 anos, conta que há mais de três décadas convive com a situação na porta de casa. Como se não bastasse ter que suportar o entulho deixados por caminhoneiros a qualquer hora do dia, ele vai ser obrigado a trocar seu portão para evitar que caminhões depositem restos da construção em seu terreno.


“Já flagrei motoristas dando ré e deixando materiais dentro do meu lote. Todas as vezes eles fogem e não dá tempo nem de anotar as placas. Isso acontecia porque o portão estava com defeito e não fechava. A gente já reclamou na prefeitura, mas a fiscalização é muito difícil”, reclama. Outra montanha de rejeitos diversos fica nas proximidades do km 537 do Anel, no Bairro das Indústrias.

De acordo com o diretor operacional da Superintendência de Limpeza Urbana, Rogério Pena Siqueira, as multas para quem desobedece o Código de Posturas variam de R$ 121,10 a R$ 4.036,79. O valor aplicado depende da quantidade e do tipo de lixo jogado em área pública. Ele reconhece que há poucos fiscais na cidade. “São cerca de 10 profissionais para cada regional. Além disso, é impossível colocar um agente em cada esquina. Trata-se também de uma questão cultural. As pessoas precisam respeitar o próximo e a si mesmas. Fazemos constantes mobilizações e campanhas educativas”, afirma.

A Regional Barreiro informou que os bota-foras do Bonsucesso e do Bairro das Indústrias estão sendo monitorados. Neste semestre, foram feitas 943 vistorias na região e 18 pessoas foram multadas em R$ 1.200. Conforme a Regional Noroeste, fiscais fazem operações em dias alternados para coibir e multar os infratores. Um mutirão de limpeza ocorrerá na próxima semana nos bairros Padre Eustáquio e São José. Denúncias sobre bota-foras podem ser feitas pelo telefone 156 .