Blog Léo Quintino
| Doações reduzem sofrimento |
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| Qui, 15 de Janeiro de 2009 07:50 |
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DOENÇAS Para não sair de casa e perder as doações, Cláudia deixou de levar os filhos ao Centro de Saúde do Bairro Betânia, onde as crianças foram atendidas com febre depois da chuva. Ontem, ela recebeu a visita de equipe médica, que levou toda a família numa Kombi, para nova avaliação. As crianças estavam descalças e a mãe foi alertada do risco de leptospirose, causada pela urina de rato. A família foi orientada a tomar apenas água filtrada e recebeu mais cloro para lavar paredes e o chão. Na casa de Aureliana Campos Silva, de 45, a água atingiu 1,80m de altura. “Salvamos apenas a geladeira e o fogão”, disse a dona-de-casa, lamentando a perda de fotografias e outras recordações de família. Ela também recebeu doações, como camas e fogão. A comerciante Neide Rodrigues, de 37, perdeu os móveis e a mercearia que funcionava na frente do imóvel. “Ganhei mercadoria de uma irmã para começar tudo de novo”, disse Neide. A casa dela foi interditada pela Defesa Civil, por apresentar rachaduras. O terreno debaixo da casa ficou comprometido pelas águas do córrego, a menos de dois metros, mas ela se recusa a sair. Ontem, ela ganhou um filtro e deixou de pedir água à vizinha. A casa de Maria do Carmo Data, de 52, não foi ameaçada. Mesmo assim, ela continua na casa do filho. “Estou com medo de voltar e acontecer tudo de novo. O córrego tem muita sujeira e vai transbordar se chover”, disse ela, lembrando o pesadelo do dia 31. “A gente saiu para a igreja e deixou a ceia do réveillon preparada na mesa. A força da água foi tão forte que arrancou a pia da cozinha. Minha filha ficou presa no telhado com uma vizinha de 85 anos”, disse. Às 10h30 de hoje, mais donativos serão distribuídos na Avenida Tereza Cristina com Rua Bonsucesso, no Bairro Betânia. Ao todo, foram 151 doações da população ao município, sendo 41 entregues diretamente nos postos de arrecadação. Entre o material estão 8,2 mil quilos de roupas, seis colchões, 55 pares de sapato, 175 quilos de alimentos, duas máquinas de lavar roupa, dois aparelhos de TV, 23 caixas de brinquedos, quatro camas, 170 unidades de pasta de dente, 158 escovas de dente, 272 unidades de detergentes, entre outros itens. De acordo com a prefeitura, 26 famílias perderam tudo na chuva do réveillon. O critério de distribuição de donativos leva em conta a renda familiar e a existência de crianças, idosos e portadores de necessidades especiais. PREJUÍZO Na Avenida Tereza Cristina, também no Bairro Betânia, funcionários da prefeitura trabalham limpando a sujeira e reconstruindo asfalto e canteiros destruídos pelas águas do Ribeirão Arrudas, que transbordou. O aposentado Orlando Antônio Rodrigues, de 73 anos, lamenta o seu prejuízo. “A minha Parati ficou boiando na garagem. A minha Kombi, que estava do lado de fora, foi levada pela correnteza e teve perda total”, disse. No Bairro Carlos Prates, Região Noroeste, o prejuízo de alguns comerciantes aumenta a cada dia. A pista da Tereza Cristina afundou, no sentido Centro-Bairro, e um quarteirão inteiro está interditado para as obras, afugentando clientes de várias lojas. “Nosso prejuízo é de 80%, pois não temos mais venda de porta e só trabalhamos com clientes antigos, já cadastrados”, disse Marta Coelho, de 46, gerente de uma loja de móveis para escritório. “Nossos vendedores recebem comissões e seus salários estão comprometidos”, acrescentou a gerente. A Secretaria Municipal de Políticas Urbanas informou que somente no fim do mês será possível ter uma estimativa de conclusão das obras, que começaram no dia 3 e consome R$ 3,5 milhões. De setembro até agora, segundo a Urbel, já houve 345 indicações de remoções preventivas de famílias de áreas de risco, em toda a capital. Do total, 221 remoções são definitivas e 124 temporárias. A reocupação do imóvel só pode ser feita depois do período chuvoso, com realização de obras recomendadas pelos técnicos da Urbel. Nas regiões Oeste e do Barreiro foram 55 remoções de famílias, principalmente nas vilas Bonsucesso, Mangueiras, Carroceiros, Bernadete/Matinha, Vila Sport Club e Betânia. |



A dona-de-casa Sandra dos Santos Ferreira, de 34 anos, que antes do temporal tinha apenas três camas para dividir com sete filhos, entre 1 e 14 anos, agora dorme com mais conforto. “Ganhamos cinco camas”, disse Sandra, que conseguiu salvar só o botijão de gás. “O restante, a enchente levou”, disse ela, mostrando fogão, geladeira, aparelho de TV, roupas, mantimentos e outros objetos que ganhou. Embora satisfeita com a solidariedade das pessoas, ela não se sente segura perto do córrego. Com medo de novas enchentes, guarda os documentos dos filhos numa sacola presa ao telhado. 
