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População terá 55 mi de idosos em 2040 PDF Imprimir E-mail
Qua, 10 de Dezembro de 2008 07:55

O envelhecimento acelerado da população e mudanças no modelo da família brasileira apontam para um problema crucial que terá de ser enfrentado num futuro breve. Daqui a 32 anos, em 2040, um terço dos habitantes do país — 55 milhões de pessoas— terão 60 anos ou mais. Desses, 23,5% estarão com idade igual ou superior a 80 anos. A projeção é do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que lançou ontem, em Brasília, o livro Envelhecimento e dependência: desafios para a organização da proteção social. De acordo com Jorge Abrahão, diretor de estudos sociais da entidade, é preciso pensar em políticas públicas que atendam a necessidade da população mais velha e, portanto, mais vulnerável.

“Além de a população envelhecer, as famílias estão mudando, não vão continuar mais enormes, com grandes laços de convivência. As estruturas têm se tornado monoparentais, menores. Dessa forma, a maior parte da responsabilidade pelo cuidado com o idoso, que hoje é colocada, inclusive pela nossa legislação, a cargo da família, terá de ser repensada”, afirma Abrahão. Helmut Schwarzer, secretário do Ministério da Previdência Social, ressalta que, além de um modelo sustentável de seguro social, será preciso investir em ampliação de serviços de saúde e fazer uma reflexão sobre o papel dos familiares envolvidos no trato com o idoso, especialmente o dependente funcional, que não consegue fazer atividades básicas do dia-a-dia, como comer e tomar banho.

Não há estatísticas oficiais sobre a quantidade de idosos dependentes no Brasil. O último levantamento que tentou, de forma não muito aprofundada, avaliar a dependência dos idosos no país foi a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2003. Conforme o estudo, 13% dos idosos tinham alguma dificuldade para realizar tarefas corriqueiras – desde uma dependência leve a severa. O dado, porém, deixa dúvidas por se tratar de autodeclaração. É o próprio idoso quem responde aos pesquisadores se sente ou não dificuldades para fazer determinadas tarefas. No levantamento, 88,5% dos idosos negaram qualquer empecilho para tomar banho, ir ao banheiro ou alimentar-se.

Maria Léia Lacerda e José Silvério, casados há 45 anos, vivem em plena atividade. Ela, prestes a completar 70, cozinha para os três filhos, que comem em casa todos os dias, embora dois deles não morem mais com o casal. José Silvério, de 72, gosta de caminhar pelo Cruzeiro, bairro do Distrito Federal onde a família vive há cerca de dois anos, depois de ter saído de Belo Horizonte para morar na capital federal. A saudade dos parentes e amigos mineiros é compensada com a presença constante dos filhos. “Eles nos levam para todos os lugares, estão sempre com a gente. Lá em casa não tem solidão”, afirma Léia.

OUTROS PAÍSES O estudo do Ipea procurou detalhar as estratégias que sete países – Alemanha, Espanha, Estados Unidos, França, Japão, Reino Unido e Suécia – adotaram quando passaram pela virada demográfica do envelhecimento. Há saídas estritamente mercadológicas, como o caso dos Estados Unidos, onde os seguros são majoritariamente privados e não-obrigatórios.

Última atualização em Qua, 10 de Dezembro de 2008 08:34