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Qua, 18 de Agosto de 2010 12:38

Vereadores que votaram a favor do Projeto de Lei 776/2009, que alterou o Código de Posturas, colocando, em tese, um ponto final na poluição visual da capital mineira, deveriam dar bom exemplo durante a corrida eleitoral, mas, ao contrário, estão sujando as ruas com materiais de campanha e os colando em locais proibidos.

O Estado de Minas encontrou cartazes espalhados por diversos pontos da capital com propaganda dos vereadores Luis Tibé (PTdoB), Neusinha Santos (PT), Reinaldo Lima (PV) – candidatos a deputado federal –, e de João da Locadora (PT), Cabo Júlio (PMDB), Silvinho Rezende (PT) e Wellington Magalhães (PMN), candidatos a deputado estadual. Magalhães teve seu registro indeferido pelo Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG).
A sujeira chama a atenção na Avenida Silviano Brandão, Região Leste, que está cheia de cartazes dos vereadores Luis Tibé, Reinaldo Lima e João da Locadora. “Eles vêm de madrugada, colam e ninguém vê”, disse Edivaldo Pereira da Silva, funcionário do Posto Alabrasto, localizado no Bairro Sagrada Família.

Ao lado, os mesmos políticos encheram o muro de um lote de propriedade do posto sem o aval do dono. Além de infringir as normas da Justiça Eleitoral, que determina que os materiais de campanha só podem ser anexados em locais privados com a autorização dos proprietários, os vereadores estão na contramão do novo Código de Posturas, no qual eles foram responsáveis por aprovar, que proíbe painéis publicitários em muros de qualquer lugar na cidade – exceto os destinados à veiculação cultural.

A reportagem do EM também encontrou muita poluição de campanha na Região Venda Nova. Em um muro também de lote vago, na Avenida Erico Veríssimo, ao lado da Igreja Batista Jardim Atlântico, número 2758, Bairro Santa Mônica, em um cartaz um pouco rasgado, aparece o rosto do vereador Silvinho Rezende. Um voluntário da igreja disse conhecer o dono do lote. Ele contou que há poucos dias comentavam sobre a falta de respeito dos políticos que sujam a propriedade dos outros. Neusinha Santos e Cabo Júlio também desrespeitaram a legislação eleitoral.

A vereadora colou um cartaz no muro de um lote vago na Avenida Tereza Cristina, Bairro Betânia, próximo ao número 5750, Região Oeste, sem a autorização do proprietário, conforme informaram vizinhos. Também irregulares estavam colados vários cartazes do vereador Cabo Júlio no muro de uma empresa siderúrgica localizada na Avenida Olinto Meileres, próximo ao número 370, Bairro Barreiro de Baixo.

Não só lotes vagos são o alvo dos candidatos. Eles também ousam a colar materiais de campanha em locais públicos e em muros comerciais sem autorização. Na Avenida Cristiano Machado, ao lado do número 1.300, o vereador Wellington Magalhães afixou uma propaganda, onde também aparece sua irmã, Arlete Magalhães (PMN), em um muro de contenção, local público. Também em local público, em uma cabine da SLU, foi colado um cartaz do vereador João da Locadora na Rua Odilon Braga, esquina com Avenida Bandeirantes.

Outro material de campanha igual a este foi encontrado na Avenida do Contorno, no Centro da Capital, em um muro de estacionamento onde propagandas das eleições de 2006 continuam pregadas nas paredes. “Todos os anos é a mesma coisa. Depois nós temos de pagar para pintar, ninguém pede autorização para colar”, disse o funcionário do GP estacionamento, Alexandre Silva.

DESCULPAS João da Locadora afirmou que orienta a equipe para não afixar cartazes em locais públicos e privados sem autorização e que pede para tirar quando fica sabendo que seus materiais de campanha estão infringindo a legislação eleitoral. Luis Tibé diz que suas propagandas são coladas em locais autorizados.

Ele justifica tanta propaganda pela cidade dizendo que o partido é pequeno e tem pouco tempo no horário eleitoral gratuito na televisão. “Essa é uma das formas permitidas e que acabam chamando a atenção das pessoas, além de ter um custo relativamente baixo”, ressaltou.

Wellington Magalhães também disse que orientou a equipe para não colar em locais proibidos e que vai mandar tirar os materiais de campanha que estiverem irregulares. O mesmo discurso adotou o vereador Cabo Júlio. Neusinha Santos informou que todos os seus materiais de campanha têm autorização e que ela recomenda colar os cartazes em locais que não sejam agressivos à paisagem urbana e que tenham o aval do proprietário. Reinaldo Lima e Silvinho Rezende não retornaram a ligação.