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População de Brumadinho une esforços para reconstruir suas casas e retomar rotina depois do temporal que isolou a cidade e deixou um rastro de destruição
Encostada no que restou do portão de casa, Maria José dos Santos, de 37 anos, via seu fogão e muitos móveis enlameados sendo levados pela retroescavadeira, na Rua República Argentina, em Brumadinho, na Grande BH. Mãe de três filhos, ela diz que vai ter sossego só no fim do período chuvoso, em abril do ano que vem. Até lá, garante que não vai dormir bem. O quarto dos fundos do imóvel está trincado e a dona-de-casa não tem a mínima idéia de quando poderá repor a mobília. Assim como Maria, moradores do município – inundado pelo Rio Paraopeba – estão refazendo a vida e juntando o que pode ser aproveitado. Com a ajuda de voluntários e empresas, a solidariedade e compaixão tomaram conta da cidade.
As marcas de lama nas paredes, com mais de um metro de altura, denunciam o tamanho do prejuízo da população que mora mais próxima ao curso d’água. “Estou com muito medo. A água subiu 60 centímetros dentro da minha sala. Tivemos que sair às pressas para não virar vítimas dos temporais. A chuva nos pegou em um momento muito complicado. Eu e meu marido conseguimos financiamento para reformar nossa casa e foi tudo em vão. Além de perder o que havia no imóvel, perdemos também o material de construção. Agora, estamos endividados, sem poder comprar nada. Tudo que quero agora é um Natal seguro. Deus há de nos proteger”, afirma Maria, limpando seu imóvel. Minutos depois, voluntários levaram marmitas para ela e a família.
A poucos metros dali, mais lama e transtorno: em vez de roupas no varal, mato pendurado. Em vez de louças, muito barro, inclusive na pia da cozinha. A situação na casa da agente administrativa Rosane Maria de Jesus era caótica. Ela mora nas margens do rio e, com a força da inundação, não sobrou nem o muro da casa. Tudo foi levado. A lama tomou conta até do vaso sanitário. Para entrar na copa, era preciso botas de borracha. Mas a determinação e a esperança não deixaram o coração de Rosane. Com um sorriso no rosto, ela não se desesperou.
“Não podemos desanimar numa hora dessas. Pode demorar o tempo que for, mas tudo vai voltar ao normal”, acredita. Ela lembra que, em 1997, outra tempestade castigou a cidade. E foi preciso também muita força de vontade. “Ainda precisamos muito de ajuda braçal. É muita lama. Desejo muito que nos próximos dias não chova tão forte”, afirma.
VOLUNTÁRIOS Para ajudar as vítimas, um grupo de 20 bombeiros voluntários está dando uma lição de solidariedade. Professores, secretárias e outros profissionais foram treinados por um militar reformado e, em momentos de tragédia, são eles que reforçam o efetivo de trabalhadores. O tenente da reserva do Corpo de Bombeiros Roberto Procácio é quem lidera a equipe. “Estamos auxiliando as pessoas na travessia dos rios, limpeza das casas e na distribuição de material de emergência”, afirma o oficial. Ele adianta que os interessados em se juntar ao grupo podem ligar para o telefone (31) 3889-5794 ou acessar o endereço eletrônico www.abvmg.org.br.
Os braços cruzados do comerciante João Jesus Costa, mais conhecido como Cascalho, e do mecânico José Pereira Fernandes, o Baiano, não significam comodismo nem inércia e, sim, desespero. O ganha-pão dos dois foi arrasado pelas águas do rio, que passa atrás dos dois estabelecimentos comerciais, no Centro da cidade. “Só restou lama. Não deu para tirar o freezer, o fogão, nada. Perdi uns R$ 5 mil. Não sei o que fazer”, diz Cascalho. As ferramentas e até carros da oficina de Baiano também se perderam. “Dá vontade de chorar”, diz o mecânico.
Mas a história é ainda muito pior para os moradores de povoados vizinhos. “Sabemos que os esforços estão se concentrando em Brumadinho, mas os ribeirinhos estão esquecidos. O poder público não pode deixá-los de lado”, afirma o mecânico João Mendes Fonseca. E ele tem razão. O Estado de Minas percorreu alguns povoados e constatou a necessidade. A ponte que liga os dois lados do distrito de Melo Franco, a cinco quilômetros de Brumadinho, foi arrancada pela força das águas. “A situação ficou muito complicada. Plantações foram destruídas e as pessoas não conseguem atravessar para o outro lado da cidade. Elas não conseguem fazer compras e nem vender seus produtos”, conta a comerciante Eliane Esmeralda Maia. As doações podem ser feitas nos seguintes endereços: - Av.: Amazonas nº 6455 - bairro Gameleira - Depósito da CEDEC - Tel: (31) 3332-1377- Alameda Ezequiel Dias, nº 427, Centro - Cruz Vermelha- Tel: (31) 3226-4233
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