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Noite de medo em Caeté PDF Imprimir E-mail
Sex, 26 de Dezembro de 2008 11:02

Temporal atinge a cidade, inunda residências, destrói pontes e ruas e deixa moradores assustados com a força das águas. Oito famílias perderam a casa

Pânico e transtorno na noite de Natal para dezenas de famílias de Caeté, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A chuva intensa que atingiu a cidade provocou o transbordamento do Córrego Caeté, que corta o município. Com a cheia, as correntezas causaram muita destruição, principalmente na área central. A Coordenadoria Municipal de Defesa Civil informou que 30 casas foram inundadas e oito famílias ficaram desabrigadas.

As lágrimas da aposentada Lenir Maria Fonseca denunciavam seu desespero. Ela mora no Centro de Caeté, na Avenida João Pinheiro, às margens do córrego, e perdeu tudo o que tinha com a enchente. O quintal da casa se transformou numa extensão do curso água e o que se via era só prejuízo.

Por sorte, ela não passou a noite de Natal em casa e, junto com os filhos, celebrou o nascimento de Cristo na casa de amigos. Como não parava de chover, ela pediu a um dos parentes que fosse à sua moradia ver como estava a situação. “Foi desesperador. Minha casa estava debaixo d’água. Se estivéssemos dentro dela não conseguiríamos sobreviver, pois a água subiu muito rápido. Não temos roupa, mantimentos, nada. Precisamos de ajuda”, afirma.

Mas o quadro poderia ser ainda pior. O sobrinho dela, Ronaldo Leandro dos Santos, de 34 anos, foi ajudar a retirar alguns móveis e acabou levando um choque em um fio de alta tensão. Foi encaminhado em estado grave para o hospital da cidade. “Agradeço a Deus por ninguém ter morrido”, diz Lenir. Um vizinho da família, José Monteiro dos Santos, de 61, mais conhecido como Joel Lanterneiro, também não escondeu o choro e a desilusão de ter perdido tudo o que conseguiu nos últimos 25 anos.

“É sofrimento demais. Eu e minha família estávamos dormindo e fomos acordados com uma barulhada. Tivemos menos de cinco minutos para sair de casa. Não deu tempo de salvar nada. Isso ocorreu por causa de obras malfeitas da prefeitura. A administração deveria ter preparado melhor a cidade para uma situações dessas”, diz. A cozinheira Cleuza Luzia Coelho, de 46, também teve sua casa inundada e concorda com Joel. Ela culpa a administração da cidade pelos transtornos. “Acho que houve omissão da prefeitura. Deveriam ter feito obras ao longo do córrego para evitar tanto sofrimento”, desabafa.

O secretário de Governo e Planejamento de Caeté, Elmer Starling Pessim, disse que o poder público não é omisso. “Choveu muito na cabeceira do córrego, no distrito de Rancho Novo, e houve queda de barreira na estrada. Equipes já estão lá para desobstruir a passagem. Já adotamos providências nas áreas atingidas e isolamos as que estão em risco. As obras a que os moradores se referem são as da Estação de Tratamento de Esgotos, e não influenciam o curso do rio. É uma construção necessária. Entendemos que o morador fica fragilizado com os prejuízos causados pela enchente, mas os problemas só não foram maiores porque a prefeitura mantém atuante a defesa civil”, justifica.

Fonte: EM

Última atualização em Sex, 26 de Dezembro de 2008 11:48