Blog Léo Quintino
| Cidade devastada |
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| Dom, 28 de Dezembro de 2008 17:05 |
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“O volume do rio está acima do normal, mas ele corre dentro da calha. A Defesa Civil e a Polícia Militar fazem o monitoramento”, informou o secretário-executivo da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec), coronel Alexandre Lucas Alves, que está em Ponte Nova. A cheia do Piranga ocorreu no dia 17, mas a chuva ainda preocupa as autoridades. Ontem, uma garoa não parou de cair. Uma semana depois do estrago, ruas e avenidas de Ponte Nova estão debaixo de lama. Vários comerciantes passaram a segunda-feira limpando o barro e contando os prejuízos. “Esse prédio começou a ser construído em 1825. Alguns móveis são de 1920. A água invadiu quase dois metros e destruiu muita coisa. Caiu parte do muro e da parede”, lamenta Lincoln Rodrigues, de 59 anos, dono de uma farmácia no Centro, uma das partes mais destruídas pela chuva. Ele calcula que gastará R$ 50 mil apenas com a reforma dos móveis: “Vou ter que deixar a farmácia fechada por pelo menos seis meses”.
O estrago na ponte causou uma ferida grande no coração dos moradores, como o do motorista Paulo Ferreira, de 51, que, desolado, passa parte do dia lamentando o estrago. “Sou motorista de ônibus e fiquei quatro dias parado. Não dá mais. Moro em Ponte Nova há 47 anos e ainda não tinha visto uma chuva dessa”, lamenta. Com tristeza, ele vê uma cena que se tornou comum depois do desastre: pessoas carentes levando para abrigos móveis que ainda podem ser aproveitados. O servente de pedreiro Alacir Arlindo Calixto, de 37, e seu irmão, José Mariano, de 43, conseguiram salvar pouca coisa: fogão, mesa e cama. “Eu e minha mulher tivemos de sair no meio da noite, pois a água invadiu o barracão. Três cômodos caíram. Graças a Deus, ninguém se feriu”, disse. Situação semelhante enfrentou o soldador desempregado Nelson Magalhães da Silva, de 48, que conseguiu deixar a casa com a mulher, Maria Aparecida, de 38, e os dois filhos, Mateus, de 14, e Lucas, de 2. A família foi abrigada numa escola, onde passou o Natal. Em princípio, muita gente acha que seu Nelson não tem o que comemorar, mas ele discorda: “Comemoro a vida”. E agradece os donativos enviados aos desabrigados. Defesa Civil - As doações podem ser feitas nos seguintes endereços: Fonete: EM |
| Última atualização em Dom, 28 de Dezembro de 2008 17:35 |



Ponte Nova – Uma das regiões mais danificadas pelas chuvas em Minas é a Zona da Mata. Em Ponte Nova, a 180 quilômetros de Belo Horizonte, o Rio Piranga transbordou e destruiu centenas de imóveis. Muitas famílias perderam tudo e foram abrigadas na casa de parentes e escolas. Até os idosos de um asilo precisaram ser transferidos para a Escola Municipal José Maria da Fonseca. O governador Aécio Neves (PSDB) tentou ver de perto o prejuízo causado na cidade, mas o mau tempo não permitiu que o helicóptero em que ele estava pousasse na tarde de ontem. Ele determinou à Defesa Civil que mantenha o monitoramento do leito do Piranga.
O transtorno também está visível no rosto de Antônio Teixeira, de 59, dono de uma padaria. “Perdi mais de 80% da mercadoria e do maquinário. A água chegou a 2,5 metros. Não sei ainda o tamanho do prejuízo, mas só com um balcão gastarei R$ 18 mil. Estou na cidade há quase quatro décadas e nunca vi uma cheia dessa proporção”, diz seu Antônio, olhando para uma imensa cratera onde, até semana passada, havia a Rua João Pinheiro. O buraco foi tão grande que uma travessia de madeira foi improvisada até a Ponte da Barrinha, que passa sobre o Piranga e cuja estrutura também está comprometida. 
