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Morte na enxurrada PDF Imprimir E-mail
Sex, 23 de Janeiro de 2009 11:51

Andarilha foi a 26ª vítima das chuvas em Minas Gerais
A chuva de ontem levou móveis, roupas e a alegria de moradores da região do Barreiro, em Belo Horizonte, e também a vida da andarilha Margareth Rodrigues, de 31 anos. Ela era muito conhecida na região do Conjunto João Paulo II, no Bairro Tirol.

O marido, Élcio de Souza, de 48 anos, conhecido como Dentinho, vendia material reciclável no Barreiro no momento do acidente. A mulher estava na Rua Antônio Eustáquio Piazi. Pouco antes das 17h, uma enxurrada forte atingiu o local, invadindo casas e levando o corpo franzino de Margareth, que não sabia nadar. Um homem tentou ajudá-la, mas não conseguiu. O corpo foi encontrado embaixo de uma Kombi, na Avenida Tereza Cristina, a menos de 500 metros.

Dentinho conta que os dois sonhavam em conseguir juntos uma casa própria. “Era uma companheira de muito tempo e eu estava acostumado com ela demais”, disse. Desnorteado, não soube dizer quanto tempo vivia por ali. “Não vi nada, nem pude ajudar. Quando cheguei, o pessoal me contou tudo e disse que ela estava no Instituto Médico Legal.”

O entorno do Conjunto João Paulo II foi o ponto mais atingido pela cheia do Ribeirão Arrudas. Do início da Avenida Tereza Cristina, no Bairro Tirol, até um quilômetro abaixo, o cenário é de destruição. Muitos buracos na rua, moradores tirando lama de dentro das casas, carros empilhados no meio da rua e móveis expostos a mais chuva.

Os moradores disseram que a enxurrada desceu depois que a chuva parou. Em algumas lojas a água atingiu dois metros. Sem ajuda do Corpo de Bombeiros, o comerciante Mauro José Pereira não conseguiria sair ou tirar seus três funcionários da loja de sapatos inundada. “A água veio muito rápido e derrubou as prateleiras. Subimos em cima e tentamos fugir pelo teto, mas só saímos quando os bombeiros arrombaram a porta.”

O rodo da dona-de-casa Cláudia Fontoura Conceição, de 36, e do marido, Maurício Monteiro, puxam uma lama escura e espessa misturada a restos do que se construiu em uma vida de esforços. Eles vivem no Conjunto Átila de Paiva, no Barreiro de Baixo. Muita coisa havia sido comprada ou ganhada após a outra enchente do Arrudas, no dia 1º. “Perdemos tudo. Só deu tempo de mandar os meus três meninos para a casa de uma colega.” Avisado sobre o perigo em casa ontem, o marido pegou um ônibus no Barro Preto, Região Centro-Sul de BH, e passou três horas de desespero até chegar à casa, já alagada.

Pouco à frente da residência, quatro carros e sete ônibus que haviam sido arrastados pela correnteza exibiam os estragos. O do soldador Ederson Cardoso, de 34 anos, é um Palio que não vai conseguir sair do lugar sem ajuda de um reboque. Ele dirigia na Avenida Tereza Cristina, acompanhado da sogra, quando percebeu a água pesada chegando. Com medo, os dois estacionaram e saíram do veículo, mas a força da enxurrada foi tamanha que o carro saiu rodando e foi parar quase um quarteirão à frente. Cardoso e a sogra se agarraram a um poste, onde, diz ele, ficaram 40 minutos, esperando a água baixar.

Pior sorte teve o despachante Sidmar Oliveira Cruz, de 52 anos. Sua loja, na Avenida Tereza Cristina, 83, foi tomada pelo barro. Documentos, móveis, computadores e máquinas de escrever foram colocados na rua. Amigos apareceram para ajudá-lo, mas ele não se conformava de ter perdido tudo. “Vou embora daqui. A gente estava aberto, trabalhando normalmente, e veio essa tragédia. Não dá para repetir isso, é preciso uma solução aqui.” Fonte: EM