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Casarões abandonados no centro de BH PDF Imprimir E-mail
Qua, 11 de Fevereiro de 2009 07:34

Um dos principais acessos à capital oferece a visitantes e moradores uma visão que mistura vandalismo e abandono. Cidadãos se queixam da prefeitura, que reclama de donos de imóveis

Ela é imponente, tem nome do maior rio do país e é um dos corredores urbanos mais importantes de Belo Horizonte. Apesar disso, a Avenida Amazonas guarda um lado obscuro, misto de descaso, vandalismo e descompasso com a modernidade. O Estado de Minas percorreu os 9,2 quilômetros da via na capital e identificou inúmeros problemas e reclamações. Casarões abandonados, pedaços de concreto que imitam ponto de ônibus e o desrespeito estampado em forma de pichações na maior parte dos imóveis compõem o retrato de decadência em um dos principais acessos à capital.

Pela avenida que liga a capital a Contagem, na região metropolitana, passam mais de 100 mil veículos por dia. Pelas janelas, motoristas e passageiros avistam casas abandonadas, muitas com cerca de 100 anos, que resistem ao descaso e insistem em continuar de pé, de uma forma que incomoda também vizinhos e pedestres. Na altura do Barro Preto, Região Centro-Sul de BH, seis imóveis, cinco deles comprados pelo Colégio Santo Agostinho, servem não para enfeitar a cidade com imponência e prestígio, mas para abrigar desde cães até ratos. Na maior parte desses casarões há apenas parte dos telhados. Mesmo assim, um morador de rua aproveitou e fez de um deles seu abrigo.

De acordo com o gestor financeiro da entidade mantenedora do colégio, João Virgílio Hilário, os imóveis estão em análise pelo Conselho Deliberativo do Patrimônio Histórico do município. “Enquanto eles não derem uma posição sobre a situação, não podemos fazer nada. Em princípio, nossa intenção é demolir os prédios para ampliar a área da escola. Queremos também colocar estacionamento para os funcionários. Se a prefeitura tombar os prédios, vamos acatar prontamente as regras de restauro. Mas ainda estamos aguardando a resposta”, afirma.

Enquanto isso, vizinhos não param de reclamar. Basta andar pelos imóveis para entender por quê. Há mau cheiro, lixo espalhado e muito desleixo. O chaveiro Ruy Gomes Moreira, de 46 anos, reprova a situação. “Com uma avenida importante dessas, é preciso carinho e cuidado. Mas só vejo desinteresse e desprezo. Os vândalos existem, mas é dever da prefeitura agir com mais rigor ”, diz. A vendedora de pipoca Maria da Conceição Silva, de 48, trabalha na avenida e concorda. “A avenida está jogada às traças. De dia ou de noite, há pessoas que pulam o muro e fazem o que querem dentro dessas casas”, afirma.

A diretora do Conselho Deliberativo do Patrimônio, Michele Arroyo, observa que o uso e ocupação da Amazonas mudaram justamente pelo fato de a avenida ter se tornado um corredor importante de tráfego. “Ela perdeu a vitalidade em relação aos pedestres e o uso residencial é praticamente impossível. Diferentemente de décadas passadas, circulam na avenida veículos pesados e, com isso, a apropriação da via mudou de forma considerável”, salienta. Mesmo diante das dificuldades para manter imóveis desse porte, ela responsabiliza os proprietários. “A conservação dos prédios é dever dos donos”, diz Michele.

Ela concorda que o custo de uma restauração é oneroso e sugere opções para quem se interessar por reformar imóveis antigos. “Há linhas de crédito que incentivam essas ações, inclusive para restauração. É importante que os responsáveis por esses imóveis procurem órgãos públicos que os orientem nesse processo. O simples abandono significa prejuízo e a Amazonas merece um tratamento melhor”, afirma a diretora.

Mas a viagem pela avenida guarda muitas outras surpresas desagradáveis. É difícil contar a quantidade de muros e sacadas pichados. Os vândalos não poupam escolas nem igrejas. Para quem passa pela avenida, a imagem é de sujeira e desleixo. Como se não bastasse, passeios estão tomados por mato – como nas proximidades do Detran da Gameleira, no bairro de mesmo nome. Perto dali, no Câmpus II do Cefet, um ponto de ônibus deixa os passageiros constrangidos. Em vez de um banco, eles se acomodam em pedaços de concreto, sem proteção ou segurança. “Um acidente de ônibus, ano passado, destruiu o ponto de embarque e desembarque e até agora a prefeitura não repôs. `É uma total falta de segurança. Mas a passagem de ônibus aumentou. É um absurdo”, afirma o estudante Bruno Siqueira Andrade, de 21 anos.