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Cerca de 500 integrantes de três comunidades sem teto, que correram o risco de despejo, foram para as ruas protestar contra a política de habitação e exigir um encontro com o governo do estado.
Moradores dos acampamentos Dandara, Irmã Dorothy e Camilo Torres, acampados desde a noite de terça-feira na Praça Sete, ocuparam ontem as principais avenidas do Centro da cidade, escolhendo prédios públicos e do Poder Judiciário como alvos de protestos.
A manifestação pegou muita gente de surpresa. No coração da cidade, o trânsito na Praça Sete foi fechado duas vezes, causando irritação nos motoristas que seguiam para o trabalho pela manhã.
Com apitos, lenços vermelhos, faixas e cartazes, os manifestantes ocuparam uma faixa da Avenida Afonso Pena e seguiram para o prédio do Tribunal de Justiça, onde ensaiaram uma vaia aos magistrados que votaram a favor da reintegração de posse de uma área de 11 mil metros na Região do Barreiro, ocupada por 140 famílias que integram a comunidade Camilo Torres. "A gente só quer o diálogo. A manifestação é pacífica. Só queremos mostrar para a cidade o drama que estamos vivendo, pois 1,2 mil famílias correm o risco de ficar sem casa a qualquer momento, por decisões que ferem a Constituição. As áreas ocupadas não cumpriam sua função social e estavam abandonadas", comentou o Joviano Mayer, representante das Brigadas Populares.
SEM DIÁLOGO Ao mesmo tempo em que os manifestantes pediam uma solução para a falta de moradias, um advogado do movimento e o frei Gilvander Moreira, que integra a Pastoral da Terra, reuniam-se com o secretário de estado extraordinário para Assuntos de Reforma Agrária, Manoel Costa, para discutir a situação das famílias. Ao fim do encontro de uma hora, ficou definida a formação de uma comissão com representantes do governo e dos movimentos sociais para discutir o assunto. "Sugerimos que o governo federal repasse verba do programa Minha casa, minha vida a essas famílias ou que ajude num mutirão para a construção de casas populares. Mas estamos abertos ao diálogo e vamos analisar as alternativas", comentou o frade.
A passeata terminou na Praça Sete, que voltou a ser fechada no início da tarde. Desta vez, o ato durou cerca de 20 minutos. Os manifestantes fizeram orações e prometeram voltar às ruas, caso não haja uma solução para o impasse. "Não vamos aceitar sair sem um diálogo”, afirmou Joviano Mayer.
O protesto batizado de "Marcha pela Paz" começou na segunda-feira. Cerca de 800 pessoas deixaram a comunidade Dandara, na Região da Pampulha, e seguiram para a Praça Raul Soares. De lá, se juntaram a integrantes dos acampamentos Camilo Torres e Irmã Dorothy, que haviam ocupado o saguão do prédio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional e Política Urbana (Sedru), no Bairro Santo Agostinho, na Região Centro Sul. |