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Falta dinheiro para domar as enchentes PDF Imprimir E-mail
Por Quintino   
Dom, 07 de Dezembro de 2008 18:57

Cidade ainda convive com 101 áreas de inundação, segundo levantamento da prefeitura,e as mais problemáticas exigem recursos que o município ainda trabalha para conseguir
Bianca Melo

Enchente grande em Belo Horizonte, como as famosas que alagaram a Praça da Estação, o Aeroporto da Pampulha e a Avenida Prudente de Morais, parece notícia de arquivo. Mas levantamento em curso na Secretaria de Políticas Urbanas que ainda há 101 áreas de inundação na capital. É quase uma para cada ano da cidade, que completa 111 anos sexta-feira. Uma fartura de 700 quilômetros de rios e córregos dentro da área urbana ajuda a explicar a dimensão do risco ligado à água. Somando tudo, dá para ir a Governador Valadares e voltar. Do total, 220 quilômetros estão sob o asfalto, em galerias subterrâneas, construídas ao longo dos anos, escondendo um problema que reaparece a cada chuva forte.

Conforme explica o secretário municipal de Políticas Urbanas, Murilo Valadares, há probabilidade de ocorrência tanto nos córregos abertos quanto nos canalizados. Resolver o problema exige soluções diferentes para cada caso e, na maioria deles, o custo é altíssimo. Valadares seleciona dois pontos como os maiores focos de preocupação dos técnicos comandados por ele: as avenidas Atlântida (ou Avenida Heráclito Mourão Miranda), no Bairro Santa Terezinha, na Pampulha, e a Bernardo de Vasconcelos, onde passa o Córrego Cachoeirinha, na Região Nordeste. A primeira já tem projeto pronto, mas precisa de R$ 20 milhões ainda não captados. A segunda está sendo amenizada com a retirada de 200 famílias da Vila Carioca, perto das avenidas Antônio Carlos e Bernardo Vasconcelos.

O segundo passo é a construção de uma bacia de retenção de cheias para barrar a água. “Já sabemos para onde seguir e estamos tentando conter o problema, mas risco sempre vai haver porque são pessoas que estão perto da água”, diz Valadares. Na parte de córregos abertos, a solução vem acompanhada de desapropriação. As áreas que precisam de intervenções e monitoramento mais intenso estão em mais de um ponto da cidade: Avenida Cachoeirinha (Região Nordeste), Vila São Tomás (Pampulha), Alto Vera Cruz (Leste) e Vila Mariera (Barreiro), só para citar algumas. Em Venda Nova, outra situação crítica tira o sono de moradores e de técnicos da prefeitura sempre que chove: os córregos Várzea da Palma, Madrid, Camões e Virgílio de Melo Franco se interligam perto do Bairro Copacabana. O curso está comprometido por assoreamento, falta de mata e sujeira, em parte provocada pela própria população que vive à margem.

O pedreiro Eliomar Rezende Gonçalves, de 48 anos, mora na região há mais de 10 anos. “A gente mesmo juntou dinheiro para construir um muro e tentar ajudar e na minha casa tive que pôr entradas altas. Mas o fedor não temos como resolver.” Só neste ano, segundo ele, a água invadiu a casa quatro vezes, a última há pouco mais de uma semana. A prefeitura diz já ter a solução para parte das dor de cabeça de Gonçalves, mas, por enquanto, só conseguiu um terço dos recursos. O governo federal liberou R$ 62 milhões dos R$ 200 milhões para implantar, em parte da área problemática, o Drenurbs, sigla para Programa de Recuperação Ambiental e Saneamento dos Córregos em Leito Natural da Cidade de Belo Horizonte. As obras devem começar no ano que vem.

Murilo Valadares lembra que nos últimos anos algumas obras já surtiram efeito contra alagamentos no Ribeirão Arrudas, Vila Belém, São José e as vilas São Paulo e Vietnã, está já eliminada. A Prefeitura de Contagem, cidade co-responsável pela poluição de parte das águas de BH, informa que nos últimos anos saneou um córrego na bacia da Pampulha e quatro na do Arrudas. Faltam outros quatro e a promessa é finalizar o trabalho em dois anos.

O Drenurbs, criado em 2001, é consenso entre ambientalistas e prefeitura como solução ideal para recuperar áreas degradadas e harmonizar as relações entre água e população. Além de despoluir córregos e tratar o esgoto, é feito um diagnóstico para definir o tipo de área verde que pode ser implantada no espaço. Mas o custo alto das ações mantém o ritmo lento. Para conseguir intervir nos 140 quilômetros propostos no programa, estimaram-se, inicialmente, obras no valor de R$ 1,8 bilhão.

SANITARISTA Antes do Drenurbs, a direção seguida era bem diferente. Quando foi criada a nova capital de Minas, a concepção de cidade planejada trazia junto um ideal sanitarista de não conviver com problemas indesejáveis. A cidade, a princípio, acolhedora por seus vários cursos d’água que coincidiam com extensa área verde, passou a não querer os rios e córregos mais visíveis. Ou porque eles começavam a atrair pragas e mau cheiro, ou porque eles “interferiam” no caminho da obra que estava sendo executada para fazer ligações asfálticas cada vez mais extensas.

Fonte: EM

 

Última atualização em Dom, 07 de Dezembro de 2008 19:02