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Vidas sob risco constante PDF Imprimir E-mail
Por Quintino   
Dom, 07 de Dezembro de 2008 19:04

De acordo com levantamentos da Defesa Civil, cerca de 6 mil famílias moram em áreas sob ameaça de desabamentos e outros tipos de acidentes provocados pelas chuvas

Belo Horizonte tem entre 5 mil e 6 mil famílias vivendo em áreas com risco alto ou muito alto de desabamento ou outra ocorrência ligada à situação geológica na região. A informação é do coronel Valter Lucas, responsável pela Coordenadoria Municipal da Defesa Civil de Belo Horizonte (Comdec). A Companhia Urbanizadora de Belo Horizonte (Urbel) aconselhou a remoção de 85 famílias desde outubro.

Até quinta-feira, 21 delas continuavam no mesmo lugar. O Executivo prepara um novo diagnóstico sobre a situação de vilas e favelas da capital. O último, de 2004, indicava 10.650 famílias e, 10 anos antes, o número era de 15 mil. A capital tem 210 vilas, com população estimada em 500 mil pessoas. Para reduzir os números, a prefeitura teve de se mobilizar nos últimos anos e viu que precisava de ajuda de pessoas das comunidades para convencer moradores de áreas de risco a saírem de lá.

Os 47 núcleos de Defesa Civil, formados por voluntários desses locais, vieram nesse rastro, a partir de 2003. Hoje, cerca de 500 pessoas estão inscritas. O perigo é maior no Taquaril (Região Leste), Aglomerado da Serra e Morro do Papagaio (Centro-Sul), Vila Apolônia (Venda Nova), Cabana do Pai Tomaz (Oeste), Conjunto Paulo VI (Nordeste) e Vila Pinho (Barreiro). Todos têm Centro de Referência de Área de Risco, espaço de apoio onde qualquer desabrigado pode passar a noite em caso de perigo. Há dois meses está de plantão o Grupo Executivo de Área de Risco, formado por 50 pessoas que ficam de prontidão para qualquer chamado.

LOGÍSTICA A diretora de Manutenção e Área de Risco da Urbel, Cláudia Viana, observa em sua agenda a aproximação do dia 15. Depois de consultar meteorologistas, a data foi definida como uma marca para chuvas mais fortes na capital, o que significa atenção máxima das equipes. Para não ter surpresas, a Urbel firmou convênio com o Centro de Climatologia MG Tempo Cemig/Puc Minas para consultar o volume de chuvas medido por 20 pluviômetros instalados em diferentes regionais da cidade. O sistema dá ainda a previsão de chuvas para os próximos cinco dias. Em caso de qualquer anormalidade, a Urbel repassa o alerta para os núcleos de Defesa Civil que vão a campo avisar a comunidade.

No momento da emergência mesmo, geralmente o pedido chega à Comdec, que aciona a mesma rede para ajudar no socorro. Em uma cidade montanhosa como Belo Horizonte e com registro de ocupação irregular, os exemplos de problemas geológicos estão espalhados por toda parte, mas a Regiões Leste, Oeste, Barreiro e parte da Sul têm um tipo de solo com tendência a estabilidade devido à presença de rochas, como os filitos. “Quando elas saturam, a tendência é escorregar e, portanto, é um solo que exige construções com mais engenharia, o contrário do que ocorreu em locais hoje considerados de risco”, explica o coronel Valter Lucas.

FAIXA A dona-de-casa Lucinéia de Jesus Souza, de 31 anos, mora no setor 5 do Taquaril e já foi avisada por técnicos da Urbel que sua moradia está na faixa de risco alta. Acima da casa, outros barracos irregulares ameaçam despencar morro abaixo e a dois passos da sua porta há uma ladeira de terra insegura. No início do ano, sua única vizinha próxima deixou o Taquaril por causa da queda de um barranco atrás de casa. “Falaram para eu ficar olhando alguma trinca no barranco e na parede e a gente fica com aquele medo, mas não tenho para onde ir. “

Ela e o marido vieram da Bahia em busca de melhores dias em Minas. Há 5 anos compraram a casa no Taquaril. Na casa, vivem ainda seus três filhos – de 12 e 9 anos e uma recém-nascida. A escada que leva à casa já denuncia o solo úmido, resultado do esgoto jogado na terra. Em uma visita rápida, a geóloga Cristiane Silva Sebastião identifica situações de perigo: bananeiras na encosta, desaconselhadas por terem raiz que encharca com facilidade e ajudam a terra a descer e mato alto, que impede a visão da situação da terra.

Fonte: EM

Última atualização em Dom, 07 de Dezembro de 2008 19:28