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Vivendo de promessas PDF Imprimir E-mail
Por Quintino   
Dom, 09 de Novembro de 2008 17:35
Não importa o bairro onde as pessoas vivem ou a classe social a que pertencem. Os reflexos da paralisação da Câmara Municipal de Belo Horizonte podem ser sentidos por todos os lados da cidade. Enquanto os vereadores não aprovarem o empréstimo de R$ 150 milhões da Caixa Econômica Federal para obras de saneamento na capital mineira, por exemplo, a brincadeira preferida de Claudinho, de 12 anos, Gabriel, de 10, e Daniela, de 13, continuará sendo pular como sapo, de pedra em pedra, dentro do córrego de esgoto que percorre trecho do Bairro Copacabana, na Pampulha. Perde quem escorrega e pisa na água, cada vez mais marrom, à medida que desce em direção à Vila do Índio, na mesma região. O trajeto é ladeado por tubos de PVC que derramam a água suja de várias partes. 
 
“Eles prometem, prometem, prometem…”, suspira a estudante Sônia Santiago, de 15, que mora ao lado do córrego desde quando nasceu. “Minha mãe conta que o pessoal da prefeitura vem aqui há anos, falam que vão canalizar essa sujeira, mas nada acontece. O problema é que as crianças vão lá para buscar bola, brincam na água, isso é perigoso”, reclama a menina. A dona-de-casa Selma Jesus Borges, de 25, mãe de três crianças, concorda. “Não deixo eles chegarem muito perto, é o máximo que posso fazer. Mesmo assim, tenho medo de eles ficarem doentes”. Selma se mudou há pouco mais de dois meses para Belo Horizonte para acompanhar o marido, com quem vivia em Vitória da Conquista (BA). Diz que sente saudades de casa, e não é só por causa dos parentes.
 
A adolescente Sônia Santiago lembra que funcionários da administração regional aparecem, em média, uma vez por ano para limpar a encosta do córrego, onde dezenas de moradores jogam sacos de lixo. Mas o trabalho é insuficiente e o mau cheiro inevitável. A água corre entre garrafas de plástico, sacolas com restos de comida, telhas quebradas, fragmentos de tijolos, folhas de jornal, roupas velhas, rótulos de refrigerante, embalagens de macarrão instantâneo e até mesmo um sofá velho. A canalização do complexo Vila do Índio/Várzea da Palma está entre as dezenas de medidas previstas no Plano Municipal de Saneamento. Para saírem do papel, os vereadores precisam aprovar o empréstimo da Caixa Econômica para realização das obras.